Catar pede apoio à intifada, EAU quer dura posição contra os EUA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deveria forçar Israel a suspender imediatamente seus ataques contra civis, mulheres e crianças palestinos, disse hoje, o chefe de Estado do Catar. O emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, fez a declaração na abertura de uma reunião extraordinária da Organização da Conferência Islâmica (OCI). Uma moção apresentada critica em fortes termos o apoio dos EUA a Israel. O emir pediu pela realização de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a escalada da violência nos territórios palestinos, onde caça-bombardeiros israelenses promoveram ataques aéreos na semana passada em retaliação a um atentado suicida a bomba palestino. "Peço à administração americana, e pessoalmente ao presidente George W. Bush, para intervir imediatamente e pôr um fim à deterioração da situação... e pressionar Israel para parar com a agressão... e retomar as negociações", disse o emir aos ministros das Relações Exteriores da organização de 56 nações. "Enquanto exigimos que Israel faça a paz, não temos a força para impor a paz. Somos a favor da paz e se a intifada é a força que irá impor a paz, então nós, muçulmanos e árabes, temos de ter a posição corajosa de oferecer apoio financeiro e moral para esta intifada", afirmou. O emir disse que os Estados Unidos têm de estar comprometido com a paz, que só poderá ser alcançada através "de uma completa retirada israelense de todos os territórios palestinos e árabes ocupados". O líder palestino Yasser Arafat, que pediu a convocação da reunião dos chanceleres, pediu aos delegados para adotarem uma "firme e sólida posição como nações árabes e islâmicas em vista desta grave agressão". Ele afirmou que os delegados também deveriam tomar uma forte posição contra "aqueles que protegem (os agressores) das leis internacionais" - uma referência aos Estados Unidos, que frequentemente vetam moções anti-Israel no Conselho de Segurança. Diplomatas disseram que uma moção apresentada no encontro pelos Emirados Árabes Unidos exige que a organização tome uma dura posição em relação aos EUA uma vez que Israel está usando armamentos fabricados pelos americanos, como caça-bombardeios F-16 e helicópteros Apache, em seus ataques contra palestinos. O diplomata pediu para não ser identificado. O xeque Hamdan bin Zayed Al Nahyan, ministro das Relações Exteriores dos Emirados, afirmou em declarações publicadas na quinta-feira que o apoio de Washington a Israel era "vergonhoso e preconceituoso". Enquanto a maioria dos delegados parecia ser favorável a propostas apontando para o fim da violência e a retomada das negociações entre Israel e os palestinos, houve pedidos do Iraque e do Sudão por uma jihad, ou guerra santa, contra Israel. O ministro do Exterior iraniano, Kamal Kharrazi, disse que o encontro deveria ser uma advertência a Israel das consequências de seus "contínuos atos criminosos". Ele pediu por um completo boicote ao Estado judeu. Três estados membros - Egito, Jordânia e Mauritânia - têm relações diplomáticas com Israel. O Catar preside atualmente a OCI.

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