Ed Ferreira/AE
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Causa palestina une árabes e sul-americanos

Declaração de apoio é assinada por todos os países da América do Sul, menos pela Colômbia

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h06

Uma declaração conjunta dos chanceleres dos países Árabes e da América do Sul apoiou a tentativa dos palestinos de apelar às Nações Unidas pelo reconhecimento de um Estado pleno. O texto, divulgado ontem em Nova York, sela o apoio de todos os países aos palestinos.

 

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A Colômbia foi o único país da América do Sul a não participar do encontro. Em uma posição igual à dos Estados Unidos, os colombianos defendem que o melhor para os palestinos é voltar à mesa de negociações com Israel.

"Saudamos a decisão dos palestinos de recorrer às Nações Unidas com a intenção de satisfazer as aspirações legítimas do povo palestino por independência e pelo reconhecimento do Estado palestino", diz o texto da declaração, que ainda saúda a decisão de vários países de reconhecer a Palestina como Estado nas fronteiras anteriores a 1967.

Na América Latina, apenas Colômbia, Guatemala e México - países com relações políticas e comerciais fortes com os Estados Unidos - não explicitaram o reconhecimento.

A declaração final, de comum acordo, foi anunciada sem alarde. O documento foi contestado pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que falou pouco depois de sair de um encontro bilateral com a presidente Dilma Rousseff. Santos explicou que sua esperança é que as duas partes voltem à mesa de negociação. Em seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Santos apelou a Israel e palestinos para que "voltem a negociar assim que possível".

"Imploramos às partes que voltem a negociar assim que possível, pois esse é o único caminho que leva ao que todos queremos: dois Estados vivendo em paz e segurança", disse.

A relação de quase dependência entre Colômbia e Estados Unidos coloca o presidente numa situação exatamente contrária à de seus colegas da América do Sul. Apesar da grande colônia árabe em seu país, Santos defende uma posição que agrada apenas a israelenses e americanos. No Conselho de Segurança da ONU, onde é membro não permanente, os colombianos já anunciaram que se absterão em uma possível votação sobre o reconhecimento da Palestina nas Nações Unidas.

Essa não é a primeira vez que a relação entre EUA e Colômbia coloca o país em rota de colisão com seus colegas sul-americanos. Em 2009, um pacto militar que estava para ser assinado entre os dois governos previa a instalação de mais cinco bases na Colômbia e provocou revolta entre os vizinhos. Na teoria, as bases seriam usadas para combate ao narcotráfico, mas o presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou a Colômbia de abrir espaço para que os americanos vigiassem seu país. Depois de uma mediação do então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo foi abortado.

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