Tiago Petinga/Efe
Tiago Petinga/Efe

Cavaco Silva é reeleito e promete lutar contra dívida de Portugal

Presidente deve ampliar a pressão sobre o governo minoritário de José Sócrates

, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

LISBOA - O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, venceu as eleições presidenciais do domingo, 23, e anunciou que lutará contra a dívida externa de Portugal. Segundo resultados oficiais, o conservador obteve 53% dos votos. O candidato do Partido Socialista, de centro-esquerda, Manuel Alegre, conquistou 20% dos votos e Fernando Nobre, 14%.

As eleições foram altamente influenciadas pela grave crise econômica que atinge Portugal e as profundamente impopulares medidas de austeridade adotadas pelo governo socialista do premiê José Sócrates.

Apesar de o chefe de Estado não ter poderes executivos, a reeleição de Cavaco Silva, que tem o apoio do opositor Partido Social Democrata, deve ampliar a pressão sobre o governo minoritário, que luta para restabelecer a confiança na enfraquecida economia portuguesa.

Os anos de débil crescimento fizeram de Portugal um dos 17 países mais fracos da zona do euro e aumentaram os temores dos portugueses sobre o futuro econômico de seu país. "Os eleitores terão a oportunidade de punir o governista Partido Socialista pelas dificuldades econômicas do país", disse Antonio Barroso, analista do Eurasia Group, antes da votação.

Cavaco Silva - um economista que foi premiê do Partido Social Democrata, de centro-direita, entre 1985-95 - pediu aos portugueses que não deixassem de votar, apesar do frio intenso. Ele desejou que fosse conhecido ontem mesmo o futuro presidente, para evitar um segundo turno. As eleições tiveram uma abstenção de 53%, um recorde desde a democratização do país, em 1974.

A campanha eleitoral foi marcada pela forte recessão econômica no país e pela ameaça de uma possível crise política, por causa da falta de apoio ao Partido Socialista, que governa em minoria desde 2009. Muitos analistas acreditam que, mais cedo ou mais tarde, Portugal será obrigado a aceitar um socorro como o concedido à Grécia e à Irlanda em 2010. Mas o governo insiste que não necessita de ajuda. Ele reduziu os pagamentos no setor público e benefícios de bem-estar social e aumentou os impostos para reduzir a dívida.

Cavaco Silva tem apoiado a medidas adotadas pelo governo, alegando que não quer piorar a situação do país ao provocar um conflito com o partido governista.

 

REUTERS e AP

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