Cavaco Silva promete cooperar com Governo

O novo chefe de Estado eleito português, Aníbal Cavaco Silva, disse, em seu primeiro comparecimento público após sua vitória eleitoral nas presidenciais de ontem que será "presidente de todos os portugueses", e prometeu "cooperação ao Governo". "Sei o valor da estabilidade política", disse.Em declaração lida, Cavaco Silva dissipou qualquer dúvida sobre seu desejo de cooperação com o executivo, ao afirmar que "os portugueses querem que o presidente seja um fator de estabilidade". O presidente eleito considerou que "é preciso consensos amplos" das forças políticas, "principalmente em prol do desenvolvimento" nacional.Cavaco Silva julgou que "não é pequena a tarefa que temos diante de nós", e que "o trabalho será longo e exigente", mas proclamou sua confiança nos jovens, nas mulheres e homens de seu país. "Agora precisamos pôr mãos à obra", disse, em alusão à luta contra os problemas econômicos portugueses.O presidente eleito ressaltou seu "empenho total em prol do desenvolvimento do país" e "no respeito aos poderes dos órgãos de soberania", porque considera imprescindível a cooperação com eles "e, principalmente, com o Governo". "De mim, podem esperar um espírito de leal cooperação", prometeu Cavaco Silva, porque "isso é o que o país precisa e espera".O novo presidente eleito dedicou uma saudação a seus rivais derrotados, e fez votos por sua felicidade pessoal, lembrando que procurou mostrar na campanha "respeito a todos eles". Socialista analisam derrota Responsável por governar Portugal de fato, o Partido Socialista (PS), que tem maioria no parlamento, começa hoje a analisar os resultados das eleições presidenciais. Consultada pela agência de notícias EFE, uma fonte do PS disse que estava prevista "uma reunião do Secretariado Nacional", mas que não existia uma data definida.O ex-presidente Mário Soares, candidato oficial do PS, foi o terceiro candidato mais votado, com 14,34% dos votos, o que significou o pior resultado dos socialistas de todos os tempos. Já o poeta e dirigente histórico do PS, Manuel Alegre, que se candidatou sem o apoio do partido e como expressão de "um movimento cívico", foi o segundo mais votado, com 20,72%. Membros do PS pedem que "sejam extraídas lições" destes resultados eleitorais.A deputada socialista no parlamento europeu e ex-secretária de relações internacionais do partido Ana Gomes afirmou que Alegre é um dos responsáveis pela derrota da esquerda. "Teremos de refletir, tirar algumas conclusões, depurar responsabilidades nos órgãos próprios do partido", acrescentou Gomes, em entrevista a uma emissora de rádio.A ex-ministra socialista e atual deputada do parlamento europeu Elisa Ferreira disse que agora espera "com grande expectativa o que Alegre fará, já que [ele] é deputado e vice-presidente do Parlamento pelo PS, e se apresentou contra o partido e em uma lógica de movimento cívico". "Estarei sempre pronto para dar voz à cidadania e para participar de novos combates", disse Alegre após saber dos resultados das eleições, em que obteve mais de um milhão de votos.

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