Cavallo defende negociação bilateral com EUA

O ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou nesta quinta-feira aos correspondenrtes estrangeiros que os países que integram o Mercosul não deveriam descartar a possibilidade de uma negociação bilateral com os Estados Unidos. Em uma clara alusão à indisposição brasileira a esse tipo de acordo, Cavallo disse que, se todos os países do Mercosul não desejassem essa negociação, ela poderia ser feita por um "subgrupo ou em conjunto ou individualmente", explicou. Mais uma vez, em uma conversa de uma hora de duração, o ministro foi ambíguo sobre o Mercosul. À pergunta "Nafta ou Mercosul?", Cavallo respondeu: "Nós damos prioridade a todo o mundo. Mas, sem dúvida, um empreendimento importante é o Mercosul". Segundo ele, "é mais importante ser uma zona de livre comércio aperfeiçoada do que uma união alfandegária imperfeita".Afirmando que o Mercosul "está longe de ser uma zona de livre comércio boa", Cavallo disse que no momento seria melhor envidar esforços para "aperfeiçoar o Mercosul como uma área de livre comércio". Dando a entender que em Brasília se pensa como ele, o ministro sustentou que "como no Brasil, na Argentina queremos um planeta com um comércio multilateral mais livre". Mas depois de criticar o bloco comercial do Cone Sul, o ministro afirmou que "a idéia de uma união alfandegária no Mercosul e talvez no futuro um mercado comum não deveria ser abandonada". Mais uma vez, Cavallo disparou farpas contra a atual estrutura. "O regime automotivo colocou o bloco comercial em uma camisa de força." Cavallo insistiu em uma urgente e profunda integração da infra-estrutura do Mercosul. "É preciso integrar mais o transporte aéreo, marítimo. Sem isso, não vamos avançar a lugar nenhum." Depois dos ambíguos comentários sobre o Mercosul, Cavallo não poupou elogios ao presidente FHC, o ministro da Fazenda Pedro Malan e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. "Eles estão me dando um importante apoio para enfrentar a crise argentina", disse. Segundo ele, o governo brasileiro está fornecendo ampla ajuda técnica em questões tributárias. O ministro também referiu-se à aprovação da cesta de moedas, que somente será implementada no dia em que um euro for igual a um dólar. Impassível, afirmou que, se o euro e o dólar nunca se encontrarem, "a cesta não será implementada". Cavallo também explicou que era iminente o anúncio dos detalhes do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, afirmou que nos próximos dias o governo começaria a dar detalhes sobre operação de megatroca de bônus. Cavallo disse que os especuladores que apostavam contra a Argentina "vão perder". "Reduzimos a febre", afirmou, comentando as medidas para combater os efeitos da recessão. No entanto, admitiu que "ainda não está afastado o perigo de crise".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.