Cavallo quer cortar US$ 300 mi do gasto público

A equipe econômica do ministro Domingo Cavallo tem uma ordem expressa: cortar gastos. Neste sentido, Cavallo e assessores vão trabalhar no feriado e no fim de semana, conforme fontes da Casa Rosada. Assim que chegou de viagem, ontem, reuniu-se com os assessores mais próximos e no fim da tarde com o presidente Fernando De la Rúa, na residência oficial de Olivos. Com o aval de De la Rúa, o objetivo de Cavallo é chegar perto das cifras do falido pacote fiscal lançado pelo ex-ministro Ricardo López Murphy, sem mexer em áreas sensíveis, como educação. López Murphy queria cortar US$ 300 milhões de gastos que incluiam recursos destinados à educação.A equipe econômica quer receber a missão do Fundo Monetário Internacional, que chega na segunda-feira, com uma série de medidas com vistas à dirimir qualquer dúvidas sobre o cumprimento do acordo que deu origem ao socorro financeiro e afastar o fantasma do defaut. O assunto é tratado sem nenhum alarde por causa das resistências e lobbies existentes em relação à matéria, mesmo porque Domingo Cavallo não quer sofrer desgastes, como ocorreu com seus antecessores López Murphy e José Luis Machinea.No ministério de Economia, a medida é negada veementemente para que o lado ortodoxo da nova política econômica não fique à vista, já que Cavallo preferiu assumir o cargo com a imagem "anti-ortodoxo".Segundo o jornal La Nacion, a Argentina não precisa esperar nenhuma medida surpresa ou um pacote. Segundo fontes do ministério, as medidas serão adotadas paulatinamente, sem choques e sem grandes anúncios. A palavra de ordem no governo é o chamado "bajo perfil", ou seja discreção no melhor estilo mineiro, quieto e calado.

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