Cavallo: reestruturação da dívida ultrapassa US$ 50 bi

No meio da jornada financeira mais tumultuada dos últimos anos na Argentina, passou quase desapercebido o sucesso da operação de reestruturação da dívida com os credores internos, cujo encerramento de sua maior parte concluiu nesta sexta-feira. Segundo o ministro da Economia, Domingo Cavallo, a operação ultrapassou US$ 50 bilhões. "Foi um êxito retumbante", disse o ministro. O total de títulos do governo federal nas mãos de credores internos era de US$ 64 bilhões. Mas o volume total só foi confirmado por Cavallo quase na virada da noite de sexta-feira para este sábado, tarde demais para ter qualquer efeito positivo nos mercados. Cavallo explicou que com esta operação o governo poderá economizar o gasto de US$ 3 bilhões, que teriam que ser pagos em taxas de juros ao longo do ano 2002.A operação consistiu na troca de títulos que estavam em posse de Fundos de Pensões, bancos locais, empresas de seguros, por um empréstimo que terá a garantia da arrecadação tributária. A taxa de juros, que era em média de 11% (alguns títulos chegavam a 22%) passam a ser de 7%. Além disso, durante os próximos três anos o governo não precisará pagar o capital da dívida.Esta foi a primeira e principal etapa da operação com os credores internos. Na próxima sexta-feira vencerá o prazo para a operação com os pequenos investidores individuais, além da operação de refinanciamento das dívidas das províncias. Calcula-se que esta última envolveria US$ 7,5 bilhões.Os US$ 3 bilhões economizados no pagamento de juros para o ano que vem serão utilizados por Cavallo como garantia de parte da operação de reestruturação da dívida com os credores internacionais. Esta operação começaria a ser negociada em breve, e segundo o ministro, estaria concluída daqui a 90 dias.Amanhã Cavallo viajaria para Washington para participar da reunião do Grupo dos Trinta. Cavallo aproveitaria a reunião para negociar a operação de reestruturação da dívida com os credores internacionais. Extra-oficialmente comentou-se que o ministro também se reuniria com integrantes do Fundo Monetário Internacional.Cavallo voltaria na quarta-feira à Buenos Aires. Simultaneamente, a missão do FMI que está na capital argentina, estaria partindo de volta à Washington, com os resultados de sua auditoria, que será analisada pela diretoria do FMI, e que servirá como base para tomar a decisão de liberar o empréstimo de US$ 1,26 bilhão. A Argentina precisa estes fundos para cobrir os vencimentos da dívida que possui até o fim deste ano.

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