NARINDER NANU / AFP
NARINDER NANU / AFP

Autonomia da Caxemira é um assunto interno, afirma Índia ao Paquistão

​Chancelaria do governo nacionalista de Narendra Modi ​diz que objetivo do país vizinho ao anunciar medidas para retaliar o fim da autonomia da região é 'mostrar ao mundo imagem alarmante ​das relações bilaterais'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 09h43
Atualizado 09 de agosto de 2019 | 15h51

NOVA DÉLHI - A Caxemira é um "assunto interno", afirmou nesta quinta-feira, 8, o governo indiano, um dia depois do Paquistão expulsar o embaixador da Índia em represália à revogação da autonomia constitucional deste Estado, decidida pelo governo nacionalista de Narendra Modi.

"Os recentes acontecimentos vinculados ao artigo 370 (da Constituição indiana) são um assunto interno da Índia", afirmou o ministério indiano das Relações Exteriores em um comunicado, que critica "ações unilaterais" do Paquistão. "A intenção por trás desta medida é mostrar ao mundo uma imagem alarmante de nossas relações bilaterais", completa a nota. 

Islamabad anunciou na quarta-feira a expulsão do embaixador indiano no Paquistão e convocou seu embaixador em Nova Délhi. O governo paquistanês também suspendeu o comércio bilateral, uma medida simbólica em função dos limitados vínculos comerciais entre os países, que já entraram em guerra três vezes, duas delas pela disputa da Caxemira.

Modi deve explicar nesta quinta-feira, 8, a decisão anunciada na segunda-feira de revogar de forma unilateral a autonomia constitucional da Caxemira, algo que pode incendiar a região conturbada que também é reivindicada pelo Paquistão.

O Parlamento indiano aprovou nesta semana a divisão do Estado da Caxemira em dois territórios administrados diretamente por Nova Délhi.

A Caxemira está isolada do resto do mundo desde domingo, com as comunicações bloqueadas, o comércio fechado e as ruas desertas, após a mobilização de dezenas de milhares de soldados indianos.

Centenas de presos

Mais de 500 pessoas foram detidas na Caxemira indiana desde o início da crise, informou a imprensa.

Empresários, ativistas e professores universitários estão entre as 560 pessoas detidas nas cidades de Srinagar, Baramulla e Gurez, de acordo com a agência de notícias Press Trust of India e o jornal India Express. Algumas detenções aconteceram durante operações policiais noturnas.

Apesar da forte presença das forças de segurança e da proibição de manifestações e deslocamento, alguns protestos esporádicos foram registrados na cidade de Srinagar, reduto da contestação contra a Índia.

Um manifestante morreu depois de ser perseguido pela polícia na Caxemira indiana, disse na quarta-feira uma fonte policial.

A agência de segurança aérea indiana pediu aos aeroportos que reforcem os dispositivos de segurança e advertiu que a "aviação civil pode ser um alvo fácil de ataques terroristas".

A Caxemira está dividida entre Índia e Paquistão desde a independência do império colonial britânico em 1947. / AFP

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