Reuters/Divulgação/Palácio de Miraflores
Reuters/Divulgação/Palácio de Miraflores

Celac marca o fim da hegemonia americana, diz Chávez

Presidente venezuelano disse que bloco é 'a conquista de uma batalha de 200 anos'

AE, Agência Estado

02 de dezembro de 2011 | 16h56

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descreveu nesta sexta-feira, 2, a criação de um bloco latino-americano e caribenho de 33 países como contrapeso aos Estados Unidos e "a conquista de uma batalha de 200 anos" que teria começado com Simón Bolívar, prócer da independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

 

Chávez deu as declarações na abertura da cúpula de dois dias que marca a criação efetiva da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). A entidade foi criada no México no ano passado, mas o presidente venezuelano pretende que a cúpula em Caracas marque seu lançamento.

 

"A Doutrina Monroe foi imposta aqui: a América para os americanos, para os ianques. Eles impuseram a vontade deles durante 200 anos, mas isso agora acabou", disse o mandatário venezuelano.

 

Chávez vê a nascente Celac como uma ferramenta para acelerar a integração latino-americana. "Nós precisamos marchar em direção ao que Bolívar disse ser um corpo político gigante", afirmou.

 

O bloco de 33 nações reúne todos os países da América Latina e do Caribe. Ao contrário da Organização dos Estados Americanos (OEA), sediada em Washington, terá Cuba como membro pleno e excluirá os Estados Unidos e o Canadá. O presidente de Cuba, Raúl Castro, fez eco às declarações de Chávez, ao chamar a criação efetiva da Celac o "maior evento em 200 anos".

 

Muitos governantes e presidentes latino-americanos, contudo, veem a Celac como um espaço para construir relações econômicas e políticas mais próximas, ao invés de uma plataforma para desafiar as políticas dos Estados Unidos.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, também se referiu a Bolívar como uma inspiração, mas não classificou Washington como um vizinho não desejado.

"Nossos países demonstram sua vocação para um futuro comum", disse Dilma. "Há 200 anos, Caracas foi como um farol na luta pela independência. Eu acredito no sonho de Bolívar". Além de Dilma, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, compareceu ao evento. O presidente do Peru, Ollanta Humala, cancelou sua viagem à cúpula, sem dar um motivo especial para isso.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.