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Celebração do primeiro de Maio vira batalha eleitoral na França

François Hollande acusou Nicolas Sarkozy de tentar sequestrar para fins políticos as tradicionais festas

Reuters,

26 de abril de 2012 | 10h16

PARIS - O candidato socialista, François Hollande, acusou nesta quinta-feira, 26, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, seu rival eleitoral, de tentar sequestrar para fins políticos as tradicionais celebrações do Dia do Trabalho.

Hollande é favorito para derrotar Sarkozy no segundo turno da eleição presidencial francesa, em 6 de maio. Ele criticou o adversário por convocar um comício perto da Torre Eiffel, no dia primeiro de maio, concorrendo com o tradicional evento dos sindicatos.

"Lamento que Nicolas Sarkozy tenha explorado isso para ir em busca de conflito", disse Hollande à rádio France Info. "O primeiro de maio é uma celebração do trabalhador, decidida no mundo todo pelos sindicados, e considero que não cabe aos políticos interferir, mesmo durante uma campanha eleitoral."

Além do comício de Sarkozy e do evento sindical, uma terceira manifestação está programada - o "Dia de Joana D'Arc" - promovido anualmente pelo partido direitista Frente Nacional, de Marine Le Pen, que obteve quase 20 por cento dos votos e ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Ela deve anunciar nesse evento sua posição para o segundo turno.

Sarkozy, que tenta herdar os votos de Le Pen, acusou os sindicatos e o Partido Socialista de "privatizarem o primeiro de Maio", e convocou o "mundo do verdadeiro trabalho" para o seu comício na praça do Trocadero.

Ele irritou sindicatos e a esquerda ao insinuar que os organizadores tradicionais do evento protegem os funcionários públicos em detrimento dos empregados do setor privado. Na quinta-feira, porém, o presidente negou ter usado o "termo verdadeiro trabalho".

Uma pesquisa Ifop mostrou que Le Pen superou ligeiramente Hollande entre operários no primeiro turno, e teve ampla vantagem entre trabalhadores manuais. Ambos tiveram mais votos do proletariado do que Sarkozy.

Depois dos ataques do presidente aos sindicatos, a maior central francesa, a comunista CGT, orientou seus filiados a votarem contra Sarkozy, deixando de lado sua tradicional postura de evitar posicionamentos políticos explícitos.

Em artigo de capa, o jornal comunista L'Humanité comparou Sarkozy ao marechal Philippe Pétain, que governou a França num governo de colaboração com os nazistas.

Foi Pétain, em 1941, quem oficializou o 1o de maio como um feriado dedicado aos trabalhadores, embora a celebração remonte aos anos posteriores à Revolução Francesa (1789). O L'Humanité disse que Pétain, como Sarkozy, na sua época acusou os sindicatos de buscarem objetivos econômicos e políticos.

 

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