Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Celso Amorim assume direção-geral da Unitaid

Ex-chanceler brasileiro foi empossado nessa quinta, 23, como novo chefe da agência, que organiza compra de medicamentos e distribuição a países em desenvolvimento; indicação foi do governo de Dilma Rousseff

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 17h12

PARIS - O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim assumiu nessa quinta-feira, 23, a presidência do Conselho de Administração da Unitaid, agência especializada na gestão de medicamentos para combate à Aids, à tuberculose e ao paludismo, três doenças que mais afetam populações de países pobres. O ex-chanceler brasileiro substituirá o francês Philippe Douste-Blazy na chefia da organização, criada há 10 anos pelos ex-presidentes da França Jacques Chirac e do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.

Amorim foi indicado ao cargo pelo governo de Dilma Rousseff, antes da posse do presidente interino Michel Temer e de seu ministro das Relações Exteriores, José Serra. A proposta do nome também aconteceu antes da alteração nos rumos da política externa brasileira, que está em curso no Itamaraty. A posse do ex-chanceler aconteceu na tarde dessa quinta-feira, em Paris, durante a reunião do Conselho de Administração da entidade, que tem sede em Genebra, na Suíça.

A Unitaid foi fundada em 2006 pelos governos de França, Brasil, Chile, Reino Unido e Noruega com o objetivo de criar mecanismos de financiamento inovadores e organizar a compra de medicamentos destinados ao combate à Aids, tuberculose e paludismo em países em desenvolvimento. Primeiro país a criar um imposto de € 1 sobre o preço de passagens de avião, a França é o maior país doador da entidade, com € 85 milhões repassados em 2015, ou 60% do orçamento total da entidade. A contribuição do Brasil é fixada em US$ 5 milhões por ano, mas depende de recursos do orçamento da União, e não de um imposto específico.

A Unitaid trabalha em parceria com instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e se dedica reduzir os preços de medicamentos ao mínimo possível de forma a ampliar o alcance de tratamentos médicos em países em desenvolvimento.

Segundo Amorim, uma de suas iniciativas será a de aumentar o número de governos doadores. Um dos alvos é o Japão, que segundo Douste-Blazy poderia financiar até US$ 150 milhões por ano. "Queremos aumentar o papel da Unitaid, mas vai depender da contribuição dos países", afirmou Amorim. "Há países que poderiam ser mais ativos." 

Para Amorim, sua nomeação à direção-geral da entidade não representa um entrave nas relações com o Brasil. "Eu estive na origem da Unitaid, que é um acordo com a OMS. O próprio Douste-Blazy pensou no meu nome, e o Conselho de Administração o recebeu bem", afirmou o ex-chanceler, que não quis falar sobre questões políticas brasileiras. "Eu pretendo ter uma relação profissional, em que não entra a política."

Sobre o fato de ter sido indicado pelo governo de Dilma Rousseff e representar uma linha diplomática que o atual ministro, José Serra, pretende afastar do Itamaraty, Amorim diz que não fará "política partidária" em seu cargo. "Todo mundo conhece as minhas opiniões. Acho que se deve respeitar a liberdade de expressão, que ainda é válida no Brasil", reiterou. "Eu não vejo razão para que não haja uma colaboração. E digo até que nesse aspecto específico o atual chanceler tem experiência, porque foi ministro da Saúde."

Amorim é o terceiro brasileiro a ocupar cargos de direção-geral de organizações internacionais. Os outros dois são Roberto Azevêdo, na Organização Mundial do Comércio (OMC), e José Graziano da Silva, na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.