Cem são detidos em protestos pela morte de Pinochet

Cem pessoas foram detidas e 50 ficaram feridas, entre elas 43 carabineiros, durante manifestações realizadas no Chile para "celebrar" a morte do ex-general Augusto Pinochet.A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo subsecretário do Interior chileno, Felipe Harboe, que respaldou a atuação da polícia e anunciou que serão tomadas medidas para prevenir novos atos violentos durante o velório do ex-governante e em seu funeral, previsto para terça-feira.Harboe, que fez um chamado a favor da tranqüilidade, disse que 53 pessoas foram detidas em Santiago e 47 em diversas regiões do país.Dois dos carabineiros feridos, explicou Harboe, estão em estado grave, mas não correm risco de morte.Em diversos setores de Santiago houve saques em estabelecimentos comerciais, veículos foram incendiados e foram registrados danos à propriedade pública e privada, segundo dados oficiais.ManifestaçõesA morte de Pinochet originou manifestações espontâneas de alegria entre seus detratores, que saíram às ruas para festejar a notícia.Os distúrbios mais graves ocorreram no município de Peñalolén, a oeste de Santiago, onde sete carabineiros foram atingidos por balas disparadas por escopetas artesanais. Um grupo tentou saquear um supermercado, o que foi evitado pela Polícia.No município de Estación Centra, também houve confrontos e vários estabelecimentos foram saqueados, disseram fontes policiais, enquanto em Cerro Navia, ao leste de Santiago, um microônibus foi incendiado e seu motorista golpeado.No setor vizinho de Pudahuel houve cortes momentâneos de energia elétrica devido ao lançamento de correntes sobre os cabos, enquanto em Huechuraba, no norte de Santiago, cidadãos e policiais se enfrentaram.Dois automóveis foram incendiados na avenida central Diagonal Paraguauy, por um grupo de encapuzados desordeiros.AdeusPinochet morreu às 15h15 (horário de Brasília) deste domingo no Hospital Militar, após sofrer uma súbita descompensação cardíaca, oito dias após ter sido internado por causa de um infarto e de um edema pulmonar.Pessoas próximas à família disseram à imprensa local que no momento de sua morte o ditador segurava a mão de sua mulher, Lucía Hiriart, que completou 84 anos no domingo."Lucy" foi a última palavra dita por Pinochet antes de morrer, na mesma sala do centro médico onde, em 1.º de abril de 1991, morreu Jaime Guzmán Errázuriz, após sofrer um atentado a tiros. Guzmán era considerado o principal ideólogo da ditadura e gerente da Constituição imposta em 1980.Além de sua esposa, os filhos Augusto, Lucía, Verónica e Jacqueline acompanhavam Pinochet. Faltava apenas o mais novo, Marco Antonio, que estava fora de Santiago, e que chegou mais tarde ao hospital.O corpo de Pinochet foi levado na madrugada de domingo à Escola Militar, onde será velado nesta segunda com honras militares. Na terça, o corpo será cremado após uma missa fúnebre prevista para as 12 horas de Brasília.

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