Cemex confirma nacionalização

Caracas só pagará US$ 400 milhões pela empresa

Reuters, AP E AFP, Caracas, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

A fabricante de cimento mexicana Cemex mostrou-se ontem cautelosa ao comentar a tomada de suas instalações na Venezuela pelo governo do presidente Hugo Chávez. Em uma nota enviada à Bolsa Mexicana de Valores (BMV), a Cemex, que produz 50% do cimento consumido pelos venezuelanos, confirmou a "tomada de controle operacional" das suas fábricas, mas evitou fazer qualquer juízo de valor sobre a medida. Na segunda-feira, depois do fracasso das negociações para nacionalizar a empresa, as instalações da Cemex foram invadidas por militares venezuelanos. Outras duas produtoras de cimento, a francesa Lafarge e a suíça Holcim, assinaram acordos com o governo. Ontem, a cotação de ações da Cemex na Venezuela foi suspensa por 24 horas na Bolsa de Valores venezuelana, após desvalorizar 2,82%. O governo mexicano pediu a Chávez que continue a negociar com a empresa. "O governo do México manifestou formalmente ao governo da Venezuela seu apoio ao pedido da empresa para que ambos continuem a negociar sobre a base de princípios de diálogo, tratamento não discriminatório e consenso", diz uma nota emitida pela chancelaria mexicana. Pouco depois, porém, o ministro venezuelano de Finanças, Alí Rodríguez, anunciou que, pelos cálculos de Caracas, o valor dos ativos da Cemex em seu país não passariam de US$ 400 milhões. A Cemex, de acordo com o governo Chávez, exige US$ 1,3 bilhão. Chávez anunciou a nacionalização da Cemex, da Lafarge e da Holcim em abril, após reclamar que tais empresas exportam a maior parte de sua produção em vez de destiná-la ao mercado nacional. Outra empresa cuja nacionalização já havia sido anunciada é a siderúrgica Sidor, controlada pelo grupo ítalo-argentino Techint. Ontem, o jornal argentino Clarín publicou que o Techint chegou a um acordo com Caracas para receber US$ 1,65 bilhão pela transferência ao Estado venezuelano de 50% das ações da Sidor. A produção de cimento, a siderurgia e a exploração de petróleo foram nacionalizados por Chávez porque são considerados setores estratégicos.

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