Josh Edelson/AFP
Josh Edelson/AFP

Cenário: A evidência das mudanças no clima na Califórnia

Crise no Estado mais populoso dos EUA é muito mais do que um simples acúmulo de catástrofes independentes

Thomas Fuller e Christopher Flavelle*, The New York Times

12 de setembro de 2020 | 04h00

Múltiplos megaincêndios queimando mais de 12 mil quilômetros quadrados. Milhões de moradores sufocados pelo ar tóxico. Apagões constantes e ondas de calor de 40°C. As mudanças climáticas, nas palavras de um cientista, estão dando um soco na cara da Califórnia.

A crise enfrentada pelo Estado mais populoso do país é muito mais do que um simples acúmulo de catástrofes independentes. É também um exemplo de algo com que os especialistas do clima há muito se preocupam, mas que poucos esperavam ver tão cedo: um efeito em cascata, no qual os desastres se sobrepõem em série, desencadeando ou amplificando uns aos outros.

“Estamos derrubando os dominós de maneiras que os americanos nunca imaginaram”, disse Roy Wright, que ex-diretor da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, que cresceu em Vacaville, na Califórnia, perto de um dos maiores incêndios deste ano. “É apocalíptico.”

As crises simultâneas da Califórnia ilustram como funciona o efeito em cascata. Um verão escaldante gerou condições de seca nunca vistas. A aridez ajudou a fazer dos incêndios florestais da temporada os maiores já registrados. Seis dos 20 maiores incêndios da história moderna da Califórnia ocorreram neste ano. Os incêndios não estão apenas expulsando milhares de pessoas de suas casas, mas também causando a infiltração de produtos químicos perigosos na água potável. O calor excessivo e o ar sufocante e enfumaçado vêm ameaçando a saúde das pessoas que já lutavam contra a pandemia. 

“Se você ainda está negando as mudanças climáticas, venha ver a Califórnia”, disse o governador Gavin Newsom. Cientistas disseram que o mecanismo que disparou a crise dos incêndios é bem simples: atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, liberam gases de efeito estufa, os quais aumentam as temperaturas e desidratam as florestas, deixando-as prontas para queimar. “Temos de entender a situação como um toque de clarim”, disse Wright, que hoje é presidente do Instituto de Seguros para Negócios e Segurança Doméstica, que analisa como reduzir os prejuízos de desastres. “O que não podemos fazer é simplesmente tapar os ouvidos, agachar e pedir para que tudo acabe logo.” / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU  

* THOMAS FULLER É CHEFE DA SUCURSAL DE SAN FRANCISCO DO ‘WASHINGTON POST’ E CHRISTOPHER FLAVELLE É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM MEIO AMBIENTE 

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