Virginia Mayo/AP
Virginia Mayo/AP

Cenário: A Grã-Bretanha saiu mesmo da União Europeia?

De repente, três juízes da Alta Corte de Justiça de Londres lançaram o raio. Questionaram o processo de saída

Gilles Lapouge*, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2016 | 05h00

Há pouco mais de quatro meses, a Grã-Bretanha decidiu em plebiscito sair da União Europeia (UE). Em consequência, o primeiro-ministro David Cameron, conservador, renunciou e foi substituído por outra deputada conservadora, Theresa May. Ela disse que acionaria, em março de 2017, o Artigo 50 do Tratado de Lisboa que permite promover concretamente a saída do bloco.

Perfeito. A Grã-Bretanha deixaria educadamente a UE – abrindo a porta de saída, dizendo adeus e fechando a porta atrás de si. Tudo correria sem falhas. Mas agora travou tudo. A festa virou pesadelo. De repente, três juízes da Alta Corte de Justiça de Londres lançaram o raio. Questionaram o processo de saída. Para eles, Theresa May não pode simplesmente pôr em marcha o procedimento sem submeter o caso à avaliação do Parlamento.

Theresa ficou furiosa. Foi humilhada, pilhada em erro flagrante por três juízes, desautorizada, repreendida. Recorreu e a apelação será examinada pelos 11 juízes da Corte de Apelação entre 5 e 8 de dezembro. Se o governo vencer, Theresa poderá retomar seu plano de usar o Artigo 50. Mas, caso a Corte de Apelação confirme o parecer dos juízes, Theresa May será obrigada a submeter o Brexit à ratificação do Parlamento – majoritariamente favorável à Europa. Portanto, são grandes as chances de se descosturar a saída da UE, deslanchada pelo referendo sobre o Brexit.

Será uma batalha dura. Os partidários do Brexit têm a seu lado a “vontade do povo”, expressa pelo referendo. Os opositores contam com a maioria parlamentar. Os pró-Brexit jogam gasolina no fogo opondo “o povo” às “elites”.

Se o Parlamento desautorizar Theresa May, o que fará ela? O Parlamento pode optar por anular o procedimento de Theresa e suspender a saída da UE. Mas, neste caso, Theresa, sem dúvida, vai se opor. Provavelmente, tentarão um meio-termo entre as duas posições extremas: os que desejam a reintegração pura e simples da Grã-Bretanha à UE e os que defendem a separação total. Sem dúvida, haverá um acordo para uma versão intermediária, moderada, mais suave. Enquanto isso, o que faz a Europa? Ela se enerva, se impacienta. E descobre que esses britânicos... / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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