Danish Ismail / Reuters
Danish Ismail / Reuters

Cenário: A paz entre Paquistão e Índia é garantida por 480 armas nucleares 

Depósitos, secretos e dispersos pelos territórios, guardam os arsenais nucleares de ambos os países. Não é coisa pouca

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 20h46

A garantia de paz duradoura entre o Paquistão e a Índia está enterrada debaixo de sete metros de concreto reforçado com placas de aço formando imensos salões blindados, construídos dos dois lados da fronteira para guardar a disposição de que nenhum governante, em Nova Delhi ou Islamabad, tomará a iniciativa de cruzar uma certa linha vermelha. Os depósitos, secretos e dispersos pelos territórios, guardam os arsenais nucleares de ambos os países. Não é coisa pouca.

A Índia, que inaugurou o processo há 45 anos, mantém cerca de 230 armas atômicas, ogivas de mísseis e bombas guiadas – 120 delas prontas para uso. O Paquistão, bem mais novo no jogo da destruição maciça, acumula 250 dispositivos do mesmo tipo – 110 em regime de prontidão. Os números são estimados por agências ocidentais de inteligência. Há veículos lançadores balísticos de longo alcance nas duas forças armadas e submarinos convertidos na indústria estatal local para disparar projéteis nucleares usando os tubos de torpedos. A série dos modelos terra a terra Shaheen cobre 3 mil km.

O desenvolvimento prossegue. Os centros de pesquisa indianos criaram o míssil Agne – a quinta geração é capaz de atingir alvos localizados entre 5 mil km e 8 mil km levando de 1,5 tonelada a 750 kg de explosivos atômicos. São os extremos de um amplo processo com efeitos multiplicadores significativos, produzindo conhecimento avançado de tecnologias digitais, de navegação satélite ou mais -- a construção de granadas de artilharia e cargas de baixa potência. Há pactos secretos envolvendo os estoques letais. A gestão e a segurança do armazenamento é feita de acordo com os padrões técnicos dos Estados Unidos, com apoio do Reino Unido. A formação de pessoal especializado é estreita desde 2006, quando o cientista paquistanês dissidente, Abdul Qadeer Kahn, admitiu ter transferido informações e equipamentos para apoiar o programa da Coreia do Norte.

Entretanto, mesmo desconsiderado o poder nuclear, um conflito entre Índia e Paquistão será devastador: as forças indianas somam 1,5 milhão de combatentes; efetivo maior, sim, mas nada muito diferente dos pouco mais de 650 mil homens e mulheres da tropa paquistanesa – todo mundo equipado com caças, tanques, canhões e navios de última geração.  

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