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AP Photo/Gene J. Puskar
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CENÁRIO: Ameaça agora vem do recrutamento de radicais na internet

No dia 10 de setembro de 2001, representantes do FBI disseram, em audiência no Congresso, que ativistas dos direitos dos animais eram a maior ameaça à segurança do país. Quinze anos e US$ 1 trilhão de dólares depois, os americanos se sentem menos seguros do que no décimo aniversário do 11 de Setembro, o maior atentado dos Estados Unidos, com 2.977 mortos. Metade dos consultados numa pesquisa da rede CNN disseram que esperavam algum ataque no mês de setembro. O que mudou? 

Lúcia Guimarães*, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2016 | 06h00

O público testemunhou a emergência do Estado Islâmico, produto da invasão ao Iraque, e a multiplicação de atentados em países ocidentais. A bomba na Maratona de Boston, em 2013, e o massacre de San Bernardino, em dezembro, derrubaram a noção de que a melhor integração de cidadãos de origem muçulmana imunizaria os Estados Unidos do caminho de radicalização visto em países europeus.

É difícil dissociar o aniversário do dia que mudou o perfil do horizonte em Manhattan desta distópica temporada eleitoral. Donald Trump é cria de uma rebelião entre republicanos que têm parte de sua origem nos anos George W. Bush. As decisões tomadas por um messiânico e intelectualmente impermeável Bush, após o ataque, continuam a ter consequências.

“Estamos em guerra. Quando descobrirmos quem fez isto, não vão gostar de mim como presidente. Alguém vai pagar,” disse então Bush, a bordo do Air Force One. Ele estava certo, mas não pelos motivos que imaginava. A primeira guerra iniciada por Bush, a invasão do Afeganistão, para derrubar o Taleban, que protegia o terrorista Osama bin Laden, o cérebro do ataque, é o mais longo conflito da história do país. Se os EUA retirassem suas tropas amanhã, o governo de Cabul cairia nas mãos do mesmo Taleban.

A segunda, a invasão do Iraque sob falso pretexto, foi “a pior decisão de política externa jamais feita por um presidente,” avalia o novo livro Bush, de Jean Edward Smith, um dos mais respeitados biógrafos presidenciais do país. 

Os autores da destruição das Torres Gêmeas, naquela manhã ensolarada de 2001, eram um grupo com hierarquia e planos espetaculares. Nova York tem hoje uma força antiterrorista de mil agentes. No entanto, os que tiram o sono do público não precisam de território na Síria ou no Iraque. Mesmo que percam todo o seu califado, podem continuar a se multiplicar e a recrutar no mundo virtual. 

* É COLUNISTA

 

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