REUTERS/Henry Romero
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Cenário: Antes subsidiada, comida é cada vez mais cara e escassa

Venezuela foi o país mais rico da América do Sul, mas os preços dos alimentos dispararam nos últimos anos, obrigando muita gente a buscar no lixo o que comer

Mercy Benzaquen / NYT, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2017 | 05h00

A Venezuela foi o país mais rico da América do Sul, mas os preços dos alimentos dispararam nos últimos anos, obrigando muita gente a buscar no lixo o que comer. Hoje, o custo de produtos de primeira necessidade é cinco vezes maior do que o salário mínimo.

Em 1.º de julho, o salário mínimo foi elevado pela terceira vez neste ano para ajudar a controlar a inflação. Mas o aumento ajuda pouco as famílias em dificuldade e a inflação pode atingir os 720% este ano, segundo o FMI. Desde abril, os venezuelanos têm saído às ruas para exigir ajuda alimentar e eleições presidenciais antecipadas.

O presidente Hugo Chávez ficou muito popular com sua promessa de dividir a riqueza proveniente do petróleo com os pobres. Para financiar seu programa socialista, ele contava com as receitas do petróleo que representavam 93% das exportações em 2008.

O governo importava produtos e os vendia a preços subsidiados para tornar os alimentos acessíveis aos pobres. Quando o preço do petróleo caiu, os gastos do governo se tornaram insustentáveis.

O governo do presidente Nicolás Maduro reduziu as importações e utilizou as reservas já insuficientes para pagar sua dívida externa. Em consequência, alimentos e remédios escassearam. Como agravante, medidas do governo paralisaram a produção local de alimentos. Quando o país cortou suas importações, os produtores locais, fragilizados, não conseguiram atender à demanda.

As empresas privadas que sobreviveram ao agressivo confisco do governo se depararam com outros obstáculos. O governo estabeleceu controles do câmbio, em 2003, e passou a ser o único administrador dos dólares no país, abrindo a porta para um mercado paralelo em que o dólar hoje é vendido a um custo 700 vezes maior do que vale.

Isso prejudicou a importação de matérias-primas para as indústrias. Como resultado, os venezuelanos recorrem às importações caras ou ao mercado negro. Para muitas pessoas, produtos como ovos e arroz se tornaram inacessíveis. 

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