Mark Wilson/Getty Images/AFP
Mark Wilson/Getty Images/AFP

CENÁRIO: Após novo massacre de crianças, onde está o presidente Trump?

O massacre na Flórida revela as deficiências do presidente Donald Trump. Em lugar de encarar o país, ele se escondeu. Tudo que fez foi tuitar comentários superficiais.

Jennifer Rubin / THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 05h00

O massacre na Flórida revela as deficiências do presidente Donald Trump. Em lugar de encarar o país, ele se escondeu. Não se dirigiu à nação. Sua secretária de imprensa não falou. Tudo que ele fez foi tuitar comentários superficiais. “Mando minhas preces e condolências às famílias das vítimas”, disse. “Nenhuma criança, professor ou qualquer outra pessoa deveria se sentir inseguro numa escola americana.” Na quinta-feira, dia 15, ele era um observador impassível, já procurando enquadrar a tragédia como crise de saúde mental.

+ Atirador da Flórida pertencia a milícia de extrema direita, diz entidade

“Há muitos indícios de que o atirador é mentalmente perturbado.” Estaria Trump culpando as vítimas ou apenas dizendo tolices? De novo, sua reação foi escrever. Não dá para imaginar os presidentes Barack Obama, George W. Bush ou Bill Clinton se comportando assim. 

O papel de consolador-chefe está muito além de Trump. É difícil vê-lo divulgando uma mensagem de conforto, como faziam presidentes anteriores. Trump não tem compaixão. Sua incapacidade de falar sobre chacinas em escolas americanas – que tira mais vidas do que o terrorismo islâmico – revela suas prioridades. Ele nunca está pronto a dar uma resposta a massacres em escolas. No entanto, antes de os fatos serem conhecidos em matanças jihadistas, Trump já anuncia medidas anti-imigração. 

+ Trump promete visitar vítimas de Parkland e pede 'mudança de cultura'

Sobre chacinas, ele se contenta em dizer que nada pode ser feito. No caso de os assassinos serem supremacistas brancos ou adolescentes perturbados, qualquer proposta de controle de armas deve ser descartada porque não impediria o ataque específico. Já com o terrorismo islâmico, essa relação de causa e efeito não é exigida. 

E há o Congresso. Passados mais de quatro meses da chacina em Las Vegas, o Congresso controlado pelos republicanos não fez nada a respeito, nem o simples banimento do dispositivo que possibilita mais tiros por uma arma. Também não há nada à vista sobre modificações na política de posse de arma. Não é tolerada nenhuma inconveniência, mínima que seja, para donos de armas.

+ Brasileira que presenciou massacre na Flórida teme voltar ao colégio. 

Os republicanos, incluindo Trump, gostam de dizer que o problema das armas é de saúde mental. Neste campo, eles querem fazer menos, não mais. Como parte da “reforma do serviço de saúde”, o Congresso quer reduzir a verba para o Medicaid, que cuida de doentes mentais. Trump está emocional e politicamente inerte em relação a esses problemas.

Quanto ao Congresso, enquanto os extremistas republicanos anticontrole de armas e antigoverno dominarem Washington, não devemos esperar muito. Isso deixa o problema em mãos das legislaturas estaduais e municipais, de ativistas e de eleitores. Reconhecer a garra de aço da Associação Nacional do Rifle não significa que não possamos fazer mais do que enviar “condolências e preces”. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.