Luke MacGregor / Bloomberg
Luke MacGregor / Bloomberg

Cenário: Arábia Saudita monta arsenal de mísseis contra ‘agressores’

Centros de pesquisa da Europa acreditam que o estoque chegue a 120 unidades, mais 9 veículos transportadores

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2019 | 05h00

O Irã tem mísseis pesados, de nove diferentes tipos – gigantes da família Shahab, com alcance entre 2 mil e 4 mil km. Podem cobrir todos os alvos estratégicos no Oriente Médio. Israel também mantém uma frota de foguetes balísticos, versões do Jericó, com alcance até 5 mil km.

Equilíbrio delicado – e prestes a ser quebrado com a revelação de que a Arábia Saudita montou um poderoso arsenal com mísseis fornecidos pela China, compondo a base de um ambicioso programa que prevê a instalação de uma fábrica para construção local de grandes mísseis intermediários e de drones de médio porte. 

A Real Força Saudita de Mísseis Estratégicos (RSSMF, na sigla em inglês) foi anunciada em 2018 como o quinto ramo das Forças Armadas locais, ao lado de Exército, Marinha, Aviação e Defesa Aérea. Segundo o rei Salman Abul Aziz al-Saud, é “a espada de fogo e destruição”, para ser usada contra eventuais agressores. De fato, a estrutura é poderosa. Envolve cinco grandes áreas de segurança nas quais funcionam cinco bases de operações. 

A partir de 1988, os governantes de Riad foram às compras. O resultado, 30 anos depois, é pesado. Centros de pesquisa da Europa acreditam que o estoque de mísseis chegue a 120 unidades, mais 9 veículos transportadores, dos modelos DF-3 e DF-21, vendidos por Pequim em negócios de longo prazo de valor desconhecido, certamente alto. 

Pesquisadores do Instituto de Estudos Internacionais de Monterey, nos EUA, sustentam que essa foi apenas a encomenda inicial – o número atual estaria na faixa dos 450 mísseis. No período, os sistemas antigos foram sendo sistematicamente modernizados e compatibilizados com os mais recentes. Não é pouca coisa. 

O DF-3, de 10,5 metros, é um arranjo customizado pela Casic, agência industrial chinesa para os sauditas sobre o CSS-2 Vento Leste, capaz de transportar além de 2,5 mil km uma ogiva com 2,1 toneladas de explosivos convencionais de alto rendimento. É quase o dobro do peso de uma carga nuclear leve, na faixa de 80 quilotons. 

O DF-21 é maior, mais pesado e tem maior raio de ação. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman declarou, em mais de uma oportunidade, que se o Irã redirecionar seu empreendimento atômico na rota da produção de armas de ataque não restará a Riad outra alternativa a não ser buscar poder de dissuasão. Os serviços de inteligência britânicos revelaram, em 2003, que haveria um acordo firmado com o Paquistão para a transferência de ogivas prontas para uso. 

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