Aizar Raldes/AFP
Aizar Raldes/AFP

Cenário: As conexões dos generais bolivianos com o Brasil 

Enquanto a maioria passou em algum momento por uma escola de graduação ou de aperfeiçoamento no País, comandante das Forças Armadas manifestou interesse em comprar Super Tucanos  

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2019 | 20h43

As ligações entre as Forças Armadas da  Bolívia e do Brasil são amplas. Os generais, quase todos eles, do Alto Comando do Exército boliviano, passaram em algum momento da carreira pelas escolas brasileiras de graduação, como a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), de aperfeiçoamento, como a Escola de Oficiais (EsAO), e ainda pelo estabelecimento de mais alto nível, a Eceme - Escola de Comando e Estado Maior - o núcleo onde são formados os generais. 

Um número maior recebe instrução nos complexos de qualificação de elite, como o Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) e nas brigadas de Infantaria Paraquedista e de Operações Especiais. O intercâmbio profissional envolve também a Marinha e a Aeronáutica. 

Entretanto, na relação desses oficiais alunos não consta o nome do general Williams Kaliman, comandante das Forças Armadas, e braço militar da crise na Bolívia. 

Aos 56 anos, apontado pela ABI, a agência oficial de informações, como veterano do 12º Regimento Ranger, uma tropa de elite, o general Kaliman disse, em junho, que seu país tinha interesse em comprar aviões brasileiros de ataque leve A-29 Super Tucano, da Embraer Defesa, e de "expandir a luta contra o tráfico de drogas, o contrabando e os ilícitos em geral", ao longo da imensa fronteira de cerca de 3,4 mil km entre os dois países. 

A sugestão do oficial para que Evo Morales renunciasse a seu mandato, feita em vídeo diante de integrantes do Estado Maior, foi, em certa medida, uma surpresa. O general e o presidente pareciam até agora, bem afinados. 

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Em dezembro de 2018, o militar declarou que se colocava "como um soldado do processo de mudanças do presidente Evo Morales". Há três meses, em solenidade pública, referindo-se a Evo como "irmão", disse que, "a nossa razão de viver é a luta anticolonialista". 

O efetivo dos três comandos militares do país bate nos 55 mil homens e mulheres. A oficialidade jovem tem  acesso a qualificação profissional por meio de intercâmbio internacional. Desde 2010, o Ministério da Defesa desenvolve um modesto programa de modernização por meio de pequenas aquisições pontuais de equipamento - helicópteros e blindados, por exemplo. 

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