Cenário: As relações da ilha com Trump durante período pós-Castro

Morte de Fidel Castro não impactará de forma imediata as relações bilaterais entre EUA e Cuba, mas a saída de Raúl Castro do poder, prevista para 2018, forçará o Congresso americano a definir o que poderá e fará numa Cuba 'pós-Castro'

John Kavulich*, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2016 | 19h05

A morte do ex-presidente Fidel Castro não terá um impacto imediato ou relevante na vida dos 11,3 milhões de cubanos. As relações bilaterais com os Estados Unidos, na transição do governo Barack Obama para a administração Donald Trump, sofrerão mudança de trajetória, especialmente em termos do escopo e ritmo da resposta por parte do Congresso americano.

Com a anunciada aposentadoria do presidente Raúl Castro para o dia 24 de fevereiro de 2018 esforços serão empreendidos pelos membros do Congresso dos EUA, junto ao governo Trump, para deixar claro publicamente o que o governo americano poderá e fará numa Cuba “pós-Castro”.

Para a comunidade empresarial americana, a morte de Fidel não terá impacto a curto e médio prazo; o governo de Cuba tentará demonstrar que a Revolução sobrevive ao seu fundador e continuará a desafiar os EUA.

Quanto às relações comerciais, o restabelecimento dos voos comerciais diretos e regulares entre os países nos dá a medida adicional e muito visível de normalidade numa relação bilateral política, econômica e comercial praticamente inexistente. O início dos voos aumentará a constante pressão sobre a infraestrutura hospitaleira da ilha, particularmente os aeroportos, a rede de transportes e hotelaria, oferecendo razões para os turistas preferirem destinos alternativos no curto e médio prazo.

Pessoas ligadas ao presidente recém-eleito não se mostram entusiasmadas com a retomada dos voos; elas veem cada voo para Cuba uma despesa que beneficia apenas um lado, sem nenhum retorno significativo além de perpetuar sistemas comerciais, econômicos e políticos abomináveis. Membros do Congresso também esperam que o governo Trump elimine ou reduza os voos. É razoável esperar que o governo Trump intensifique a fiscalização de modo a garantir que somente viajantes autorizados por lei utilizem esses voos.

O presidente recém-eleito, sua equipe de transição e partidários devem iniciar um debate relacionado à implementação do título III do Libertad Act de 1996. Essa lei permite que pessoas com ativos expropriados pelo governo cubano impetrem ações nos tribunais federais dos EUA. E exige que o presidente sancione ou suspenda a disposição legal a cada seis meses; os presidentes Clinton, Bush e Obama o fizeram. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* JOHN KAVULICH É PRESIDENTE DO CONSELHO ECONÔMICO E COMERCIAL EUA-CUBA

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