AFP PHOTO / Brendan Smialowski
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Cenário: Ataque representa oportunidades e riscos para líder

Ataque será o tema central da reunião entre o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin

David Sanger / NYT *, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2017 | 05h00

Ao lançar um ataque militar apenas 77 dias depois de sua posse, o presidente Donald Trump tem a oportunidade, mas dificilmente uma garantia, de mudar a percepção de desordem de seu governo. O ataque será o tema central da reunião entre o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. 

Antes do ataque a uma base aérea síria na noite de quinta-feira, a expectativa era que a reunião seria dominada pela investigação dos ciberataques da Rússia e sua interferência na eleição em favor de Trump. Mas a ação na Síria oferece ao governo do republicano uma oportunidade de cobrar de Putin que contenha ou remova o líder sírio, Bashar Assad, caso contrário Trump expandirá ação militar americana.

O ataque sírio com armas químicas forçou a mão do governo, disse Antony J. Blinken, vice-secretário de Estado no governo Obama. “Temos de agir”, disse Blinken horas antes de Trump lançar o ataque. “Isso vai além da Síria. Assad está indo contra a norma que observamos desde a 1.ª Guerra”, quando ataques químicos foram amplamente usados.

Muitos dos assessores de Obama, Blinken entre eles, defenderam uma ação similar em 2013, quando a Síria se aproximou da chamada linha vermelha que o presidente americano havia criado com respeito ao uso de armas químicas por Assad. Em vez de agir como havia ameaçado, Obama optou por forçar Assad a enviar grande parte, mas claramente não tudo, do estoque de armas químicas para fora da Síria. Posteriormente, Obama disse que estava “muito orgulhoso” por ter rejeitado as advertências do establishment de Washington. Poucos de seus principais conselheiros em política externa concordaram.

*É JORNALISTA

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