CENÁRIO: Aumento de efetivo brasileiro na fronteira com a Venezuela é insuficiente

Limite entre os dois países tem 2.100 km; se os militares fossem distribuídos em linha, haveria um soldado a cada 10,5 km

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 05h00

O reforço de efetivo do Exército em Roraima, anunciado há dois dias pelo presidente Michel Temer para aumentar o controle do fluxo de refugiados da Venezuela ao Brasil, não significa muito. O quadro do Pelotão Especial de Fronteira da cidade de Pacaraima passou de 70 para 100 homens no ano passado e agora vai crescer para 200. É pouco.

A divisa entre os dois países tem 2.100 km. Distribuídos em linha, haveria um soldado a cada 10,5 km de savana, mata fechada e grandes rios. É claro que a missão não é essa. Mas o cálculo deixa claro o tamanho da dificuldade. O trabalho efetivo será feito a partir da coordenação dos recursos assistenciais e policiais do Estado com a tropa da 1.ª Brigada de Infantaria de Selva, de Boa Vista, em todo o território.

Não é o único foco de tensão. Bem perto, no limite entre Venezuela e Colômbia, a sensibilidade é maior. Há duas semanas, após anúncio da disposição do governo de Bogotá em reduzir as autorizações de entrada de refugiados no país – onde já vivem ao menos 400 mil venezuelanos –, o Estado-Maior da Força Armada Nacional Bolivariana iniciou o deslocamento para a região de aviões de ataque (quatro velhos caças F-16 Falcon/A) e da infantaria de elite, cerca de 110 “lanceros” do Batalhão Caribe.

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