JUNG Yeon-Je/AFP
JUNG Yeon-Je/AFP

Cenário: Bloqueio contra a séria ameaça norte-coreana

Um amplo círculo de navios de combate e uma frota de aviões armados, apoiados por sofisticadas estações eletrônicas de vigilância isolariam o pequeno país

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2017 | 05h00

O limite de segurança foi rompido nesta terça-feira mais uma vez pela Coreia do Norte. O lançamento de um míssil de longo alcance por 1.000 quilômetros até um ponto bem próximo do território do Japão, em águas da Zona Econômica de Exclusão do país, é mais que uma provocação, é uma ameaça.

Um espetáculo técnico: o foguete balístico subiu a 4.500 km no espaço antes de descer no mar, provavelmente sobre um alvo bem determinado Foi à noite, por volta das 3h da madrugada, indicando a capacidade de reação a um eventual ataque preventivo conjunto dos Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão. É grave.

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O alto comando militar em Seul e em Tóquio reagiu enquanto o míssil ainda estava no ar. O nível de alerta subiu durante 18 minutos nas duas capitais. O Pentágono tratou do assunto, destacando que “em nenhum momento houve risco para interesses americanos ou para áreas de seus aliados”.

O porta voz do Departamento de Defesa, coronel Roberto Manning, confirmou que o teste foi acompanhado desde o início pelo Comando Norte Americano de Defesa Aeroespacial (Norad), no Colorado. De acordo com Manning, o disparo, em Sain Ni, foi feito a partir de uma plataforma móvel, envolvendo “o mais poderoso foguete já lançado pela Coreia do Norte”. Apenas em 2017 foram realizados 23 ensaios de mísseis de diversos tipos. E em setembro, a sexta explosão de um artefato atômico, uma bomba termonuclear de hidrogênio.

As consequências não serão imediatas, mas podem ser drásticas. Não há muito espaço para aplicação de novas sanções econômicas sobre o regime do ditador Kim Jong-un, limitado a receber reduzido suporte de seu principal parceiro, a China, e de alguns poucos clientes - Rússia, Índia, Paquistão, Burkina Fasso, Iêmen e, em menor escala, Tailândia e Filipinas. A maioria dos compradores da lista segue a orientação do mercado; logo, prefere um certo afastamento de Pyongyang. A renda mensal de cada cidadão norte-coreano é estimada em US$ 47, cerca de R$ 150.

No limite, o que os Estados Unidos e os dois parceiros podem fazer é adotar um bloqueio naval e aéreo na parte norte da Península Coreana. Um amplo círculo de navios de combate e uma frota de aviões armados, apoiados e orientados por sofisticadas estações eletrônicas de detecção e vigilância isolariam o pequeno país de 120 mil km² e 25 milhões de habitantes na tentativa extrema de levar o governo local para a mesa de negociações. Claro, pode não funcionar. E, nesse caso, a alternativa é a guerra.

 

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