JEWEL SAMAD/AFP
JEWEL SAMAD/AFP

CENÁRIO: Bloqueio no Estreito de Ormuz afetaria 20% do fluxo de petróleo

Países distantes como China e Índia, cujas economias dependem da commodity, seriam afetados

REDAÇÃO, NOVA YORK

07 de julho de 2019 | 22h27

Pelo menos 20% do fornecimento mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, uma faixa de água que separa o Golfo Pérsico de países como Irã, Iraque e Kuwait do restante do mundo. De 15 de maio e 15 de junho, mais de mil navios petroleiros passaram pelo estreito, muitos seguindo para locais distantes como China e Coreia do Sul.

A região do Golfo tem sido afetada nos últimos meses por uma instabilidade que ameaça o fluxo do petróleo. Seis petroleiros foram atacados desde maio em meio à escalada de tensão entre o Irã e os EUA. No ano passado, os EUA impuseram novas sanções contra Teerã por causa do programa nuclear iraniano. Algumas das medidas têm como alvo as exportações de petróleo do Irã, que é o centro de sua economia. O Irã, em retaliação, aumentou a quantidade de urânio enriquecido e ontem elevou seu teor de enriquecimento.

Se as tensões persistirem, um bloqueio no Estreito de Ormuz poderia ser sentido na Índia, na China e em dezenas de outros países que compram uma grande quantidade de petróleo do Oriente Médio. Nas últimas duas décadas, o consumo de petróleo subiu drasticamente na Índia e na China, onde uma classe média em expansão é a base do crescimento econômico em larga escala. Durante esse período, os EUA permaneceram como o maior consumidor mundial de petróleo, com dezenas de milhões de barris por dia.

Um recente boom na extração de xisto nos EUA levou a uma grande produção de gás e petróleo no país, tornando-o menos dependente das importações e permitindo-lhe assumir o papel de líder na indústria de energia global. A produção de petróleo nos EUA também cresceu extraordinários 17% no ano passado. O aumento mudou a dinâmica do mercado mundial de petróleo, que há muito tempo tem sido controlado pela Opep, o cartel de países produtores de petróleo, que inclui Arábia Saudita, Venezuela e Irã.

Décadas atrás, ataques no Estreito de Ormuz levaram à queda no preço do petróleo. O mercado do commodity, ficou em silêncio diante das recentes ações contra petroleiros, em parte pelo fato de uma boa parte do petróleo vir agora dos EUA. Como sua dependência do petróleo do Oriente Médio diminuiu, os EUA ficaram em uma posição mais forte para lidar com países como o Irã.

Após o governo de Donald Trump deixar no ano passado o acordo nuclear de 2015, os EUA começaram a endurecer as sanções contra o regime de Teerã. As medidas, apesar de não terem sido adotadas por todas as nações, permitem aos EUA punirem as companhias e os países que mantêm negociações com o Irã. Inicialmente, alguns países mantiveram seus contratos, mas muitos deixaram de comprar petróleo do Irã para evitar o risco de serem punidos pelos EUA. Como resultado, as exportações de petróleo do Irã caíram a seu nível mais baixo. / NYT

 

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