Staff Sgt. Ramon A. Adelan/U.S. Air Force via AP
Staff Sgt. Ramon A. Adelan/U.S. Air Force via AP

Cenário: Bombardeio dos EUA causaria rápida escalada das tensões 

Retaliação teria iniciado uma escalada militar rápida, envolvendo forças dos EUA, provavelmente apoiadas pela Arábia Saudita e Israel

Roberto Godoy , O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2019 | 05h00

O ataque aéreo ordenado na quinta-feira, depois do abate de um drone americano pelo Irã, e suspenso dez minutos antes pelo presidente Donald Trump, teria atingido 3 das 17 instalações do complexo nuclear iraniano e ao menos duas bases de mísseis da rede de defesa antiaérea do país. Foi um bom recuo. 

A retaliação teria iniciado uma escalada militar rápida, envolvendo forças dos EUA, provavelmente apoiadas pela Arábia Saudita e Israel. O governo de Teerã, fortemente pressionado pela Guarda Revolucionária, sob o comando do general Hossein Salami, reagiria rapidamente, talvez bloqueando o Estreito de Ormuz, impedindo o trânsito de cargueiros pela rota de 30% do petróleo consumido no mundo.

A Marinha dos EUA está mantendo na área um grupo de batalha formado pelo porta-aviões Abraham Lincoln, de 104 mil toneladas, 332 metros, mais um cruzador de 9,6 mil toneladas e dois destróieres de 9,2 mil toneladas – o porta-aviões leva até 90 aeronaves; os navios de apoio são lançadores de mísseis, entre os quais os Tomahawak com alcance de 1,3 mil km. 

A bordo da frota, 7,8 mil tripulantes. Duas bases próximas receberam há três semanas bombardeiros B-52H que podem despejar sobre alvos múltiplos 31 toneladas de bombas – eventualmente atômicas. A perda do MQ-4C Triton não está limitada aos US$ 123 milhões do equipamento explodido pelo míssil iraniano Sayyad-3, do sistema Trovão.

Ontem, fontes da Marinha americana revelaram que a aeronave abatida era uma nova versão do drone, com capacidades expandidas – grande como um jato comercial médio de 12 lugares, com asas de 35 metros, novos motor e sensores e capaz de se manter em voo por até 39 horas, coletando imagens em alta resolução, dados de inteligência e cumprindo missões de inteligência. O Triton não leva armas – ainda.

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