REUTERS/Henry Romero
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Cenário: Chavismo conta com Exército e Judiciário para ganhar tempo e adiar referendo

Caso a votação ocorra depois de 10 de janeiro, mesmo em caso de derrota, o presidente seria substituído pelo vice sem a realização de novas eleições

Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2016 | 05h00

Com 8 em cada 10 venezuelanos contestando o governo de Nicolás Maduro, o chavismo não pretende correr riscos. Seu desafio é resistir até o fim de um ano conturbado, tanto na economia quanto na política. A oposição, que desde dezembro controla a Assembleia Nacional que, na semana passada, colocou 1,1 milhão de pessoas nas ruas de Caracas para pedir rapidez na convocação do referendo revogatório do mandato de Maduro e, assim, antecipar o processo eleitoral.

Caso a votação ocorra depois de 10 de janeiro, mesmo em caso de derrota, o presidente seria substituído pelo vice sem a realização de novas eleições. Este é o cenário dos sonhos bolivarianos: muda-se para não mudar. 

Para conter a oposição, os bolivarianos têm dois aliados poderosos: o Exército e a Justiça. O primeiro, cada vez mais presente no governo, controla não só os quartéis, mas também toda a cadeia de distribuição de alimentos e remédios, cada vez mais escassos no país. O ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino, na prática, se tornou o fiador político de Maduro dentro do chavismo. 

Na Justiça, com a grande maioria dos magistrados ainda fiéis ao governo, o chavismo tem facilidade para derrubar as leis aprovadas na Assembleia e conta com a simpatia do Conselho Nacional Eleitoral para atrasar um calendário eleitoral como lhe convém. A janela para um referendo seguido de novas eleições, como prevê a Constituição, abriu-se em abril. Já é setembro e o CNE não dá sinais de que acatará a vontade da Mesa de Unidade Democrática (MUD) e dos que se manifestam nessa direção. 

À oposição, por sua vez, só resta a rua. Com uma unidade rara, por mais irônico que possa parecer para uma coalizão, a MUD conseguiu mobilizar centenas de milhares de pessoas em favor de uma agenda. Conforme os dias passam e esse objetivo desaparece no horizonte, a oposição terá de manter a coesão, a mobilização e o ânimo de seus partidários. Tarefa que não deve ser fácil.

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