LUIS ROBAYO / AFP
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Cenário: Com ajuda russa, PDVSA dribla sanções dos EUA

Sanções poderão cortar as exportações em dois terços, para US$ 14 bilhões este ano, e a uma redução de 26% na economia

Anatoly Kurmanaev e Clifford Kraus* / NYT, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2019 | 05h00

As exportações de petróleo venezuelano para os EUA, que são a principal fonte de recursos para o governo de Nicolás Maduro, caíram 40% na semana passada. Os consumidores suspenderam contratos, os bancos congelaram as contas venezuelanas e uma dúzia de petroleiros com o insumo venezuelano está parada no Caribe. 

“Não podemos cobrar, não podemos receber. Nossas finanças estão paralisadas”, disse Reinaldo Quintero, presidente da Câmara Venezuelana de Petróleo, que representa as 500 maiores companhias ligadas ao setor. “Haverá um grande dano colateral.”

Rodríguez disse que as sanções poderão cortar as exportações em dois terços, para US$ 14 bilhões este ano, e a uma redução de 26% na economia, que já encolheu para a metade desde que Maduro chegou ao poder, em 2013.

As sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro, no dia 28, proíbem companhias e cidadãos americanos de negociar com a estatal PDVSA, responsável por 90% dos recursos do país. As sanções essencialmente banem o petróleo venezuelano do mercado americano.

Antes das sanções, a Venezuela importava cerca de 120 mil barris de produtos refinados dos EUA, mas os envios cessaram na semana passada.

No entanto, uma ajuda crucial veio do maior investidor de petróleo da Venezuela, a estatal russa Rosneft. A empresa disse, na quinta-feira, que pode aumentar seus investimentos na Venezuela, apesar das sanções, e se mantém comprometida com o país.

O setor de exportação da Rosneft também concordou em continuar fornecendo à Venezuela os vitais produtos derivados de petróleo em troca do óleo bruto, parcialmente substituindo os fornecedores americanos. Esse acordo permitirá que a PDVSA continue funcionando, mesmo sem acesso ao sistema bancário internacional. 

Funcionários da PDVSA disseram aos parceiros da estatal que o país garantirá seus fornecimentos de gasolina até o fim de março, evitando a eminente crise de energia provocada pelas sanções americanas. Não há garantias de que a PDVSA, mesmo se ela conseguir sobreviver com operações reduzidas, vá se recuperar. Especialistas em energia disseram que as sanções são mais duras do que se imaginou uma semana atrás. 

*SÃO JORNALISTAS

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