AP Photo/Alessandra Tarantino
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Cenário: Construções antigas potencializam riscos de mortes em abalos

Como outros vilarejos e cidades em áreas montanhosas, Amatrice tem igrejas e outras edificações de pedra construídas séculos atrás, quando pouco ou nada se sabia sobre terremotos

Dan Bilefsky e Henry Fountain* / NYT, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2016 | 05h00

A combinação de uma falha geológica rasa e velhas e precárias construções potencializou a devastação causada pelo terremoto que atingiu a Itália ontem. Como outros vilarejos e cidades em áreas montanhosas, Amatrice – onde o que mais se ouvia ontem era o lamento de que “metade da cidade não existe mais” – tem igrejas e outras edificações de pedra construídas séculos atrás, quando pouco ou nada se sabia sobre terremotos. Se essas construções não foram reforçadas em anos recentes, suas estruturas são facilmente danificadas ou destruídas. 

“Há apenas cem anos não se sabia como construir estruturas resistentes a terremotos”, disse David A. Rothery, professor de geociências planetárias da Open University, em Milton Keynes, Inglaterra. O terremoto foi mais fraco do que muitos outros abalos recentes. O de 7,8 graus na escala Richter que atingiu o Nepal em abril de 2015, por exemplo, matando 8 mil pessoas, liberou 250 vezes mais energia. Mas o terremoto italiano foi muito perto da superfície: ele ocorreu a menos de 10 quilômetros de profundidade. “Terremotos rasos causam mais destruição que os profundos, porque a proximidade da fonte torna pior o abalo na superfície”, disse Rothery. 

Vídeos de Amatrice e outras cidades próximas do epicentro mostraram destroços de edifícios arrasados. 

Terremotos são causados por movimentos nas placas tectônicas. Os Montes Apeninos, onde ocorreu o tremor, estão na área em que uma placa, a Africana, move-se sob outra, a Eurasiana. Em razão da complexa interação entre as placas, a bacia do Mar Tirreno, na costa ocidental da Itália, está se alargando. Foi esse alargamento, e a tensão que criou nos Apeninos, que originou o terremoto de ontem. 

A região atingida já sofreu significativos abalos no passado, incluindo o de 6,3 graus que, em 2009, matou pelo menos 300 pessoas na cidade de L’Aquila, deixando mais de mil feridos. “Os dois terremotos têm muito em comum”, disse Massimo Cocco, geólogo do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia de Roma. “Em termos de genealogia e profundidade, são muito semelhantes”, afirmou. 

Depois do tremor de 2009, sete membros de uma comissão nacional de risco e prevenção foram presos sob acusação de não alertar suficientemente L’Aquila sobre o risco potencial. Em 2012, foram condenados por homicídio culposo e sentenciados a 6 anos de prisão, mas foram libertados em 2014. Cocco disse que a Itália tem leis de proteção contra terremotos para novas construções, mas pouco foi feito para reforçar prédios antigos, que são a vasta maioria das construções italianas. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*SÃO JORNALISTAS

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