Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Cenário: contexto torna  tiro no pé denúncia de espionagem na Argentina

BUENOS AIRES - Acusar o kirchnerismo de espionar pelo menos 200 críticos, a cinco dias da eleição presidencial, pareceu uma boa ideia para as deputadas opositoras Laura Alonso e Patricia Bullrich. Na lista de potenciais vítimas que elas apresentaram à Justiça, há jornalistas, juízes da Corte Suprema, promotores, artistas e candidatos à presidência, entre eles Mauricio Macri, da coalizão Cambiemos, que elas representam.

Rodrigo Cavalheiro , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

23 Outubro 2015 | 02h00

A relação com nome, RG, nacionalidade e data de nascimento das figuras públicas foi considerada por ex-espiões de aspecto verossímil e será investigada. O momento da divulgação, entretanto, fez com que as autoras e a própria denúncia ficassem entre a indiferença e o ridículo. Após receber a acusação na terça-feira, o juiz federal Sebastián Casanello salientou o óbvio: que o êxito de uma investigação sobre espionagem depende do segredo nas primeiras horas. “É como ir espionar alguém e tocar a campainha. Quem anuncia que pretende dar uma batida é tonto ou tem dupla intenção”, disse, referindo-se ao possível interesse eleitoral das deputadas. Bullrich defendeu-se dizendo não esperar que a lista fosse conhecida antes da eleição. O maior sinal de que o ato foi um “tiro no pé”, mesmo que a espionagem ilegal seja comprovada, foi a reação interna. O jornal La Nación, crítico ao kirchnerismo, apurou que a equipe de Macri considerou “desnecessária” a denúncia e temia prejuízo eleitoral. 

Em 2009, Macri foi acusado de manter uma rede semelhante. Em 2014, o mesmo juiz Casanello afirmou que não havia provas contra ele, mas, em julho a Justiça manteve a investigação. Acusar sem provas agora só lembraria o eleitor do caso antigo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.