AP Photo/Ahn Young-joon)
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Cenário: controle de armas, Islã e homofobia matizam reações

Patrik Healy / New York Times, O Estado de S. Paulo

15 Junho 2016 | 05h00

Raramente a reação americana a uma tragédia ficou tão dividida como se viu na variedade surpreendente e complexa de opiniões sobre a morte de 49 pessoas em Orlando. Enquanto a violência pelas armas com frequência coloca as pessoas em campos previsíveis e politicamente identificáveis, e ataques terroristas tendem a unir países na dor e na determinação, até agora a tragédia de Orlando tem desafiado conclusões e categorizações fáceis.

Donald Trump, provável candidato republicano nas eleições presidenciais, aproveitou o ataque para reavivar sua demanda de proibição da imigração muçulmana, mas também mostrou empatia com relação aos gays - muitos contrários à sua candidatura.

Para Hillary Clinton, sua rival democrata, e muitos líderes de partidos, o combate a terroristas locais exige leis mais severas para a compra e a posse de armas. Mas alguns liberais e intelectuais afirmam que o controle de armas não é o único problema, observando que partes do Islã e do Alcorão são hostis à homossexualidade.

“A esquerda está muito preocupada com a homofobia, mas também com a islamofobia, de modo que há uma dissonância cognitiva real na esquerda quando as pessoas falam de um muçulmano matando muitos gays.”, disse Jonathan Haidt, psicólogo social e professor da Stern School of Business na Universidade de Nova York.

Muitos gays, ao mesmo tempo que concordam que em Orlando o que ocorreu foi um ato terrorista, afirmam estar ofendidos com o fato de algumas autoridades republicanas se recusarem a admitir que o massacre seja um crime de ódio - ou a usar a palavra “gay” ao se referir à tragédia. No Capitólio, na segunda-feira, o senador Mitch McConnell, líder da maioria no Senado, condenou o Estado Islâmico como um grupo que “crucifica crianças e degola mulheres”, mas não fez menção aos gays.

Nada está claro no caso do massacre em Orlando. Na medida em que as pessoas tentam absorver a dimensão do ataque, é difícil prever como muitos americanos estarão reagindo dentro de uma semana ou um mês, sem falar à época da eleição presidencial, em novembro.

Tina Weidenhammer, de 33 anos, de Chicago, lésbica que tem um serviço de passeio de cães, disse que ela e seus amigos se sentiram motivados pelo apoio da família, mas preocupados que Orlando possa ter um efeito cascata para os gays. “Nossa preocupação é que este seja o início de uma estação de caça se alguém realmente quer perseguir os gays”, disse Tina, observando que haverá muitos festivais de orgulho gay em junho. 

Em entrevistas com 20 americanos em todo o país muitos disseram que ainda tentavam assimilar o ataque que consideram mais complicado do que outros atentados recentes. Diversas pessoas também disseram que o massacre de Orlando será um elemento definidor da disputa presidencial. 

Ioanna Hawk, de 41 anos, professora e designer de fantasias que vive em Pasadena, Califórnia, disse estar preocupada não só com o grande acesso às armas, mas também que Orlando seja explorado para ganhos políticos: “Uma das primeiras coisas que pensei foi: Trump vai usar isso para conseguir mais votos”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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