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Cenário: Facilidade de uso do AR-15 acende alerta no Brasil e nos EUA

Há dez dias, a edição dos Estados Unidos do jornal britânico 'The Daily Mail', elegeu o AR-15 como 'a arma favorita dos americanos'

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

14 Junho 2016 | 05h00

O fuzil AR-15/223 usado por Omar Mateen contra os frequentadores da boate Pulse está a venda por US$ 700 nos sites americanos de venda de armas pela internet. “Pouco uso. Fácil de usar. Bom para caça pesada”, garante um dos anúncios. É tudo verdade. O AR-15 não exige nenhuma habilidade especial – é tirar da caixa, acionar a mola e apertar o gatilho. Com a munição de alto impacto pode, sim, abater animais de grande porte.

A compra também é simples: basta responder a três perguntas do tipo “Você é militante de alguma organização extremista?”, preencher um formulário e fornecer o número do cartão de crédito. Em três dias um serviço expresso de entregas deixará a encomenda no endereço indicado. As balas terão de ser compradas diretamente no balcão de uma loja. Ou em qualquer dos milhares de armeiros privados ou departamentos de suprimentos dos clubes de tiro. Não por acaso um dos maiores fica em Orlando e é oferecido como atração turística – para visitar apenas ou atirar utilizando equipamentos alugados ali mesmo, na hora. Há dez dias, a edição dos Estados Unidos do jornal britânico The Daily Mail, elegeu o AR-15 como “a arma favorita dos americanos”.

Este é o problema. As virtudes do produto é que o tornam perigoso, letal e destruidor. O fuzil desenhado em 1957 pela Armalite Rifle, teve o projeto comprado pela Colt dois anos depois e é atualmente produzido por 18 diferentes fabricantes. Ao longo do tempo, cada um deles incorporou modificações próprias ao projeto original. A versão empregada por Omar permite tiro singular, rajadas de três disparos e, no modo de fogo à vontade, atua como uma espécie de metralhadora leve. Para melhorar o desempenho, é possível escolher carregadores a partir de 9 e até 100 projéteis. O alcance efetivo, dependendo das especificações, varia de 400 metros a 600 metros. As especificações são muito semelhantes às da configuração militar, o Colt M-16.

O atentado de Orlando disparou sinais de alerta vermelho na França, nos EUA e no Brasil – todos focados na segurança dos Jogos Olímpicos do Rio. Faltando 52 dias para a abertura do evento, há um certo consenso de que o esquema macro – envolvendo as Forças Armadas, a Polícia Federal, as polícias estaduais e todas as unidades especiais do País –, está bem dimensionado, equipado e experimentado. O modelo vem sendo aperfeiçoado desde os Jogos Pan-Americanos de 2007. O risco a ser enfrentado é o da ação de um “lobo solitário”, como Marteen. Sem ligação direta com qualquer organização, decide sozinho que é chegada a hora do ódio. Como ferramenta, nem precisa ter um Ar-15.

Até a maio estavam mobilizados 38 mil militares e um número de agentes policiais ainda em definição. Em 2015 e no primeiro trimestre deste ano, cerca de 30 exercícios conjuntos foram realizados entre os quadros locais envolvidos, “para que os diferentes tipos aprendam a arte de trabalhar de forma integrada”, na definição de um general ouvido pelo Estado, em alusão à difícil condução conjunta das atividades de garantia da Olimpíada. Equipes antiterrorismo dos Estados Unidos, como os Seals, da Marinha, e das unidades federais civis dedicadas ao combate aos movimentos radicais, participaram dos ensaios. Um sistema consistente de vigilância eletrônica já está em atividade. Times de atiradores de elite combinados com as forças especiais da Brigada de Goiânia, terão atribuições diretas na proteção a delegações e chefes de estado.


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