AFP PHOTO / ADALBERTO ROQUE
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Cenário: Fim do conflito é palco de interesse para empresários

Com a proximidade da assinatura do acordo final de paz, setores empresariais articulam maneiras de aproveitar o pós-conflito; pesquisa mostra que 55% do empresariado colombiano é favorável aos diálogos realizados entre governo e guerrilha

Fernanda Simas, O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2016 | 05h00

Horas depois do anúncio de que o governo colombiano e as Farc haviam chegado a um acordo final de paz, o setor empresarial do país afirmou ter recebido positivamente a notícia. “Convidamos a todos os colombianos a fazer um estudo profundo e consciente do conteúdo dos acordos e cada um apoie a reconciliação dos colombianos e a construção da paz”, escreveu, em nota, o Conselho Gremial Nacional.

Antes disso, com a proximidade da assinatura do acordo final de paz, setores empresariais já articulam maneiras de aproveitar o pós-conflito. Nos últimos meses, o presidente Juan Manuel Santos se reuniu com empresários e políticos para explicar o processo de paz e as mudanças que devem ocorrer no país após 50 anos de conflito.

O último levantamento feito pela Câmara de Comércio de Bogotá em conjunto com a Fundação Ideias para a Paz e o Centro Catalão Internacional para a Paz de 2015, antes da assinatura do acordo de cessar-fogo bilateral, mostrava que 55% do empresariado colombiano era favorável aos diálogos realizados entre governo e guerrilha. O número com certeza aumentou após a divulgação do cronograma de desarmamento das Farc.

Agora, a grande aposta do governo e do setor empresarial é que a paz trará mais oportunidades no setor de turismo e, consequentemente, mais investimentos. Segundo Santos, mais turistas vão passar a frequentar regiões do país porque atualmente, “considerando apenas os EUA, o Alerta de Turismo impede a visita de muitas pessoas”.

O impacto do fim do conflito com as Farc não será imediato, mas trará um potencial maior de desenvolvimento ao país, que atualmente é a terceira economia da América Latina.

Segundo a mesma pesquisa da Câmara de Comércio de Bogotá, 85% dos empresários afirmavam que a paz impactaria diretamente o aumento do investimento estrangeiro e 72% acreditavam no impacto no crescimento econômico colombiano.

Para o setor, o principal desafio será garantir que a guerrilha cumpra com o que ficar determinado, mas nesse aspecto Santos tentou tranquilizar os grupos interessados na paz ao realizar reuniões para detalhar pontos das negociações que ocorreram em Havana desde 2012.

Em junho, o presidente colombiano recebeu o presidente do Banco Lloyd´s, John Nelson, que anunciou a abertura de um escritório na Colômbia após afirmar que a assinatura do acordo de paz “vai gerar mais estabilidade e crescimento à economia colombiana”. Na mesma data, Santos recebeu Ricardo Prosperi, presidente do grupo Tenaris, que produz tubos de aço para exploração de petróleo e possui uma base em Cartagena, e representantes da Cúpula Agrária do país.

Outra reunião que terminou com o respaldo ao acordo de paz foi com Richard Branson, fundador do grupo Virgin, conjunto de empresas ligadas a diversos setores de consumo, desde companhias aéreas até uma rede hoteleira. A tendência agora é que mais grupos se interessem em realizar reuniões com o líder colombiano.

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