Schneyder MENDOZA / AFP
Schneyder MENDOZA / AFP

Cenário: Forças colombianas têm experiência de 50 anos em combate

Do lado venezuelano, o treinamento está defasado e há um fluxo crescente de desertores, apesar dos impressionantes caças e mísseis vendidos pela Rússia

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2019 | 05h58

A máquina de guerra da Venezuela talvez seja melhor, mais sofisticada. Mas a da Colômbia é maior - e é experimentada em combate, o duro combate de 50 anos contra movimentos de guerrilha interna. Liderados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), os rebeldes chegaram a controlar 40% do território do país.

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O treinamento está defasado, há um fluxo crescente de desertores e os voos de instrução da aviação de ataque estão reduzidos a menos de 80 horas por ano, o equivalente a 60 minutos no ar a cada de 4,5 dias.

 

Mas há o fator Moscou: técnicos militares russos enviados em dois grupos de 100 pessoas em março e em julho para revitalizar o melhor do equipamento fornecido por Vladimir Putin desde 2005.

Além dos impressionantes caças Su-30Mk2V, mísseis S-300 de longo alcance e outros sistemas menos determinantes, como os tanques T-72 com canhões de 125mm e helicópteros Mi-17 artilhados.

Do outro lado da fronteira de 2.219 km, o efetivo de 292 mil combatentes colombianos do presidente Iván Duque não tem nada como isso. As forças empregam um arsenal bem diferente. Os caças são jatos israelenses KfirC10C dos anos 70 e 80. Modernizados, sim. Dotados de avançados radares multimissão.

Capazes de disparar o tipo ar-terra dos mísseis Nimrod - de alcance entre 300 metros e 36 km. Mas, cara a cara, são insuficientes para segurar os Su-30. O exército não tem tanques.

Mas tem muitos blindados armados, e dezenas de helicópteros pesados Arpia III, americanos, armados com os mísseis Hellfire. E, claro, na remota possibilidade de um confronto direto, em larga escala, a Colômbia conta com o peso do apoio militar dos Estados Unidos - uma cooperação de 20 anos, ao custo direto de US$ 9 bilhões.

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