Kyodo/via REUTERS
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Cenário: Inquilino exemplar, Pentágono é adeptos de locações duradouras

No mundo inteiro há cerca de 750 bases dos Estados Unidos distribuídas por cerca de 70 países, servindo de rota para operações em várias partes do mundo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2018 | 18h34

O Pentágono é um ótimo inquilino. Cuida bem do imóvel, faz melhorias, implanta infraestrutura, libera o acesso aos serviços, paga direito, honra o contrato e jamais discute as correções periódicas no valor do aluguel. Essa boa relação só tem um problema: uma vez instalados, os militares americanos não saem nunca mais da área arrendada – a menos que desapareça o interesse estratégico pela locação. Muito difícil. 

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 No mundo inteiro há cerca de 750 bases dos Estados Unidos distribuídas por cerca de 70 países. Em alguns casos, dividem o uso civil, como no aeroporto de Shannon, na Irlanda, por onde passaram ao longo de cinco anos 3 milhões de soldados e equipamentos dos Estados Unidos em rota para operações em várias partes do mundo.

Há muitos modelos. De instalações gigantescas como a altamente tecnológica Cidade Militar Rei Khaled, na Arábia Saudita – um conjunto subterrâneo que teria inspirado os centros de combate dos filmes da saga Guerra nas Estrelas –, até as pequenas estações de sensoriamento eletrônico, operadas só por meia dúzia de técnicos, como é a de Cabo Verde, na costa da África.

O efetivo empregado nessa rede de dimensões planetárias é estimado em cerca de 130 mil combatentes. Desde 2015, dezenas de bases americanas foram fechadas no Oriente Médio – no Iraque e no Afeganistão, principalmente. Segundo o analista W.Scott, da Universidade de Georgetown, em Washington, esses sítios foram desativados “porque eram estritamente operacionais, perderam essa condição e foram transferidos para outros pontos de maior interesse”. 

Okinawa, no Japão, é um cenário sensível. O complexo americano é formado por 36 diferentes facilidades dedicadas a planejar e executar ações táticas, eventualmente também estratégicas. Centros de preparo da tropa e de ensaio de uso de equipamentos, abrigo para navios e uma estação digital de coordenação, ligada à força de mísseis dos EUA, estão distribuídos pelas ilhas do sub arquipélago. “É o olho de Washington na região”, diz Scott. Na verdade, é mais que isso: é o braço armado – treinado e pronto para a ação. 

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