AP Photo/Juan Carlos Hernandez
AP Photo/Juan Carlos Hernandez

Cenário: Insatisfação entre militares não pode ser subestimada

Para o Observatório Venezuelano da Violência, o risco de uma guerra civil não é iminente, mas deve ser levado em conta caso o quadro social se agrave

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 05h00

Os rebeldes do Forte Paramacay não são um pequeno grupo de aventureiros e não devem ser subestimados. A 41.ª Brigada Blindada é uma unidade operacional completa, com área de atuação no norte do país, em Valencia, capital de Carabobo. A brigada recebeu, desde o governo de Hugo Chávez, ele próprio um tenente-coronel, fartos recursos e equipamentos modernos – blindados, mísseis e canhões russos. Na doutrina criada por Chávez, a 41.ª deveria estar pronta para resistir a um desembarque anfíbio inimigo.

O movimento liderado pelo capitão Juan Caguaripano pretendia chegar até o Parque de Armas. Na ofensiva, chegou a tomar o controle de uma tropa de elite, o batalhão blindado, o “José Bermudez”, e da “Max”, uma companhia de comunicações, agregada ao esquadrão do comando-geral. Caguaripano disse em seu comunicado que a intenção era “restabelecer a ordem constitucional rompida por Nicolás Maduro”. 

É esse o conceito de 30% dos 133 mil homens e mulheres que formam as Forças Armadas da Venezuela, mas discordam do regime, segundo ao menos duas agências estrangeiras de inteligência. “São militares e, assim sendo, são disciplinados, cumprem ordens; mas são 40 mil cidadãos que gostariam de ver seu país sob outra direção”, disse no domingo 6 ao Estado um analista de Caracas que não pode ser identificado. 

Boa parte desses quadros passou por escolas de formação de oficiais no Brasil, beneficiados por acordos bilaterais. “São chamados pelos bolivarianos de los brasileños – isso era um elogio até a mudança de governo em Brasília, agora não é mais”, destaca o cientista político.

Para o Observatório Venezuelano da Violência, o risco de uma guerra civil não é iminente, mas deve ser levado em conta caso o quadro social se agrave. Uma das possibilidades é a de haver um conflito envolvendo a parte da tropa nacionalista e conservadora contra os bolivarianos, fiéis a Maduro. A mobilização da Milícia Nacional Bolivariana será um complicador. Segundo o governo, a corporação reúne 430 mil voluntários – fardados, armados, treinados – e cerca de 950 mil reservistas.ultimi

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