AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Cenário: Líder americano é a nova incerteza dos sul-coreanos

A internet tem se ocupado de comparar o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, e Donald Trump como duas figuras igualmente equivocadas. Os dois líderes, de fato, têm uma maneira decididamente brusca de resolver as coisas

Yoonjung Seo e Anna Fifield* / W. Post, O Estado de S. Paulo

18 Abril 2017 | 05h00

Há décadas, os sul-coreanos vivem num estado técnico de guerra com seu hostil país irmão do norte, que os considera traidores e lacaios imperialistas. Durante todo esse tempo ataques verbais e militares são periódicos, e a Coreia do Sul, nação de 50 milhões de habitantes, procura não dar importância a essas tensões. No entanto, desta vez, é uma situação diferente: a Coreia do Norte lança mísseis, faz testes nucleares e ameaças cada vez mais incendiárias. Os Estados Unidos respondem com advertências duras e a mobilização estratégica de um porta-aviões à Península Coreana.

Agora, existe uma nova incerteza, um fator imprevisível com o qual os sul-coreanos não se deparavam antes: o presidente Donald Trump. Em seus três meses de governo, o líder americano provou ser rápido no gatilho. Seus tuítes e os ataques aéreos de surpresa na Síria e no Afeganistão servem de referência.

A internet tem se ocupado de comparar o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, e Trump como duas figuras igualmente equivocadas. Os dois líderes, de fato, têm uma maneira decididamente brusca de resolver as coisas. 

“Trump se expressa de maneira muito agressiva, mas é porque ele não tem experiência diplomática”, avaliou Song Baek-beom, da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul. “Durante sua campanha ele afirmou contundentemente que processaria Hillary Clinton, mas preferiu não seguir esse caminho. Não acho que transformará em ações tudo o que afirmou com tanta agressividade”, disse.

O fato de a Coreia do Sul vir sendo governada por um presidente interino desde que Trump assumiu a Casa Branca – diante do impeachment de Park Geun-hye, o próximo líder de Seul só será eleito em 9 de maio –, também não tem ajudado. Apesar de os presidentes do Japão e da China terem ido à mansão de Trump no resorte de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, o presidente provisório sul-coreano conversou poucas vezes ao telefone com seu colega americano. 

Os sul-coreanos notaram quando o presidente Trump nem chegou a mencionar o país durante a entrevista coletiva que deu com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em uma noite de fevereiro, quando a Coreia do Norte lançou o seu primeiro míssil balístico após a posse do republicano, em 20 de janeiro.

No entanto, para cada sul-coreano preocupado diante das incertezas despertadas por Trump, há um outro que sabe que o presidente americano está cercado de generais a quem, na verdade, ele ouve. E quanto a Kim, que tem se mostrado um dirigente exaltado e inflexível? 

Os sul-coreanos não sabem ao certo o que o homem de 33 anos poderá fazer. Entretanto, apesar dessas novas dúvidas, a vida transcorre normalmente em Seul. Trânsito congestionado, ruas repletas de pessoas grudadas nos seus celulares, churrascarias lotadas a partir das 18h30. 

“Estamos seguros aqui”, disse Lee Ok-soo, que comanda uma lavanderia com seu marido. Ela riu quando perguntei se está preocupada com a tensão reinante na Península Coreana. “Apoio o que Trump está fazendo agora. Espero que ele deixe a Coreia do Norte de mãos atadas para deixar de produzir mais armas nucleares”, disse. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*SÃO JORNALISTAS

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