AFP PHOTO / CARLOS BECERRA
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Cenário: Maduro corre risco de dar mais ânimo a opositores

Depois de três meses de protestos muitas vezes violentos exigindo eleições antecipadas e a libertação de ativistas, a Suprema Corte ligada ao chavismo permitiu que o político preso mais famoso da Venezuela retornasse para sua casa

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 03h00

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, buscou aliviar os protestos e as críticas da comunidade internacional ao conceder prisão domiciliar para o líder opositor Leopoldo López, mas corre o risco de energizar a oposição e alienar parte da sua base socialista.

Depois de três meses de protestos muitas vezes violentos exigindo eleições antecipadas e a libertação de ativistas, a Suprema Corte ligada ao chavismo permitiu que o político preso mais famoso da Venezuela retornasse para sua casa, após três anos. López, líder do partido Voluntad Popular, é admirado pelos opositores por sua posição rígida e o veem como um futuro presidente.

Maduro rapidamente pediu a López que controlasse os protestos, mas a decisão de libertá-lo pode acabar sendo uma aposta infeliz que isolará ainda mais o presidente, um ex-líder sindical que substituiu Hugo Chávez após sua morte em 2013, sem trazer benefícios tangíveis para ele.

“Isso mostra que o governo está com medo, que está sofrendo muita pressão internacional, e vamos sair disso logo. Temos de continuar (com os protestos), com mais paixão”, disse o estudante Angel Ybirma, de 28 anos, acrescentando que o líder opositor merece total liberdade.

López, preso por acusações de ter incitado a violência durante protestos similares em 2014, pediu aos venezuelanos que mantenham as cansativas, e às vezes violentas, ações nas ruas que levaram a quase 100 mortes, centenas de prisões e milhares de feridos.

A oposição pretende realizar um plebiscito extraoficial no domingo para perguntar aos venezuelanos o que eles acham do controvertido plano de Maduro de convocar uma Assembleia Constituinte e reescrever a Carta, e se eles não preferem uma eleição antecipada para retirá-lo do cargo.

Agora apoiados por alguns dissidentes dentro do governo e das Forças Armadas, os opositores não devem sentar-se em breve com o governo para discutir a situação. Um diálogo mediado pelo ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, em 2016, entrou em colapso com poucos resultados, e muitos na oposição o veem como um traidor, que só deu mais tempo a Maduro. Mesmo assim, a função renascida de mediadores internacionais pode se tornar uma referência potencial para futuras negociações.

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