Cenário: Militares do Egito são consideradas pivô num próximo passo

Mesmo com o desfile de veículos miliares armados ao redor de importantes prédios governamentais do Egito, ontem, é difícil prever qual papel as Forças Armadas deverão exercer no país, seja para sufocar as manifestações ou afastar o presidente Hosni Mubarak do poder.

Neil MacFarquhar , O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

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"Eles estão do lado da nação ou do lado do regime?", perguntou um ex-diplomata ocidental com longo tempo de serviço no Cairo. "Essa distinção foi confundida."

O Exército do Egito - 10.º maior do mundo - é poderoso, popular e amplamente opaco.

Em 1952, os militares puseram em prática um golpe que destituiu a monarquia e, desde então, consideram a si mesmos os guardiães da revolução - todos os quatro presidente dos anos seguintes haviam sido generais.

Mubarak comandou a Força Aérea antes de ascender politicamente, quando o então presidente Anwar Sadat o nomeou seu vice, em 1975. Mas trabalhou duro para manter o Exército fora da política, publicamente, e sob seu controle.

Em um famoso incidente, Mubarak destituiu o marechal Abdel-Halim Abu Ghazala, um carismático e popular herói de guerra, do Ministério da Defesa, em 1989. O militar havia se envolvido em um escândalo de contrabando. A maioria dos analistas, porém, considerou que ele foi demitido por causa de sua alta popularidade.

Nenhum outro militar tentou cair nas graças do povo desde então. O marechal Mohamed Hussein Tantawi, por exemplo, ministro da Defesa antes da destituição do governo, é impopular e não deverá desafiar Mubarak.

Quando os protestos na Tunísia eclodiram, a decisão do chefe militar de não atirar nos manifestantes foi vista como um fator decisivo para a retirada do presidente Zine al-Abidine Ben Ali do país.

Ninguém considera que o marechal Tantawi tomaria a mesma atitude. Seus subordinados de alta patente, porém, podem considerá-la.

É ESCRITOR E JORNALISTA DO "THE NEW YORK TIMES", ESPECIALIZADO EM ORIENTE MÉDIO

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