MArinha Argentina, via AP
MArinha Argentina, via AP

Cenário: Nem a tecnologia mais avançada é capaz de superar o silêncio

Para que os equipamentos possam localizar o submarino, é necessário que haja no San Juan algum tipo de atividade eletrônica, magnética ou elétrica

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 05h00

O submarino argentino ARA San Juan pode ser agora apenas um tubo negro de metal semiatolado no Atlântico Sul, ao largo de Mar del Plata, sob mau tempo e poderosas ondas. Mas talvez haja uma boa chance de localizá-lo. Estão na área, empenhados nas buscas, três dos mais bem preparados aviões especializados em operações de vigilância, patrulha e combate antissubmarino, capazes de encontrar as 2.100 toneladas do navio perdido. 

O Brasil enviou um P3-AM, recheado de sensores digitais de tecnologia avançada a ponto de várias de suas funções serem consideradas secretas. “Basta que alguém respire a bordo ou uma válvula seja acionada, o P3-AM vai saber”, disse ontem um analista de informações da Força Aérea. A FAB opera nove unidades do grande avião de quatro motores, versão militar do civil Electra, com capacidade para cumprir missões de até 16 horas de voo. Os EUA despacharam para as buscas o Boeing P-8A Poseidon, variante do B-737 de passageiros. 

Segundo um piloto de testes dessa classe de aeronaves, os sistemas do jato patrulheiro naval são sofisticados. Podem, por exemplo, indicar a rota de um submarino nuclear navegando a grande profundidade apenas pela detecção da pequena alteração que o movimento provoca na superfície da água. Os olhos e ouvidos eletrônicos podem muito, mas não podem tudo. Para funcionar bem é preciso que haja no San Juan algum tipo de atividade eletrônica, magnética ou apenas elétrica. A profundidade e o silêncio são complicadores.

 

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