Stephanie Lecocq/Pool/AFP
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Cenário: Novo plano ajuda nações, mas pode acentuar diferenças

Revisão do sistema de imigração europeu está cheia de concessões a países que resistiram em aceitar refugiados

Chico Harlan* e Michael Birnbaum*, The Washington Post

24 de setembro de 2020 | 05h00

Depois de anos de rivalidade e fracasso, a União Europeia propôs uma revisão do sistema de imigração, em um plano que prevê redobrar os esforços para acelerar as deportações e permitir a quem pede asilo ser realocado de forma mais uniforme em todo o bloco. Cinco anos após uma onda histórica de refugiados atingir o continente, o bloco tenta, com seu mais recente plano, ajudar os países mediterrâneos da linha de frente, como a Grécia e a Itália, que carregaram uma carga desproporcional do fluxo. 

No entanto, a proposta pode acentuar as divisões políticas dentro do bloco por estar cheia de concessões a nações que resistiram em aceitar imigrantes. 

A história da Europa é repleta de planos de migração mortos logo na saída, mas alguns analistas disseram ontem que a proposta atual vem em um momento de cooperação um pouco maior. Os partidos de extrema direita, embora ainda sejam relevantes, perderam algum ímpeto nos últimos anos. Os dados da Alemanha, que abriu suas portas de forma ampla e controversa em 2015, mostram um quadro encorajador de como os refugiados podem se integrar. 

Os líderes da Comissão Europeia dizem que as deportações são outra forma de garantir que o sistema de imigração mais amplo esteja funcionando sem gargalos. O maior foco nas deportações é uma resposta às mudanças em quem está chegando. Enquanto nos primeiros anos muitos estavam fugindo da Síria devastada pela guerra – e quase que universalmente ganhando proteção na Europa – um número crescente agora é considerado imigrante econômico, fora do status legal. “Se você olhar para os números agora, eles são administráveis. Isso é algo que a UE deveria ser capaz de administrar. Mas por causa da profunda desconfiança dos Estados-membros em fazer o menor movimento que pudesse ser visto como fraqueza, temos um processo paralisado”, disse Hanne Beirens, diretora do Migration Policy Institute Europe, que classifica a dificuldade de os países lidarem com a imigração como uma “mancha” na reputação do bloco.

* CHICO HARLAN É O CHEFE DO ESCRITÓRIO EM  ROMA DO JORNAL THE WASHINGTON POST 

* MICHAEL BIRNBAUM É O CHEFE DO ESCRITÓRIO DO PERIÓDICO EM BRUXELAS 

 

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