Marinha dos EUA / Reuters
Marinha dos EUA / Reuters

Cenário: Números militares do gigante asiático são superlativos 

Orçamento militar chinês cresce, em média, 30% ao ano há mais de uma década e os programas de reequipamento são ambiciosos

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 05h00

A China investe pesado nos gastos da Defesa – o orçamento militar cresce, em média, 30% ao ano há mais de uma década e os programas de reequipamento são ambiciosos. O governo de Pequim quer ter ao menos três porta-aviões comparáveis à família americana desse mesmo tipo de navio, deslocando cerca de 90 mil toneladas e com 40 jatos de ataque a bordo, até 2027. 

Em qualquer outro país o prazo seria considerado curto demais. Não para os estaleiros chineses. É apenas um exemplo. A força de mísseis intercontinentais trabalha com cerca de 100 foguetes balísticos – e há um projeto de construção de novos modelos em pleno desenvolvimento. 

Sabe-se pouco a respeito desses vetores atômicos. Um grupo inteiro de modelos embarcados em submarinos está saindo da China Changfeng Mechanics and Eletronic Technology Academy. Ao menos 4 novos navios desse tipo, da classe Jin, com 11 mil toneladas de deslocamento, estão sendo fabricados simultaneamente – cada um deles leva 12 mísseis de médio alcance. 

Os números são todos superlativos – o efetivo das Forças Armadas chega a 2,5 milhões de combatentes, homens e mulheres. Em 2017, ano em que os “exércitos populares” completaram 70 anos, o presidente chinês, Xi Jinping, vestindo uma farda camuflada e usando a insígnia de comandante supremo, comemorou a data com um evento especial. 

Reuniu cerca de 100 mil “defensores da bandeira vermelha” no interior da China. Em uma base não identificada, na área do deserto, um desfile militar de quase três horas mostrou equipamentos, tropas coordenadas e aviões de tipo e sofisticação inesperados. Nenhum diplomata estrangeiro foi convidado para o evento.

Um ataque aos Estados Unidos, como projetado pelos cenaristas do Ministério da Defesa americano, não seria lançado por aviões bombardeiros e não teria como alvo cidades ou instalações estratégicas dentro do território americano. 

Um objetivo provável é o complexo militar americano no Pacífico – só no Japão há 50 mil soldados dos EUA. A possibilidade ainda maior: os grupos navais que constrangem as pretensões de Pequim sobre determinados pontos da região, como o arquipélago de Spratly, no Mar da China. Atos de guerra, com certeza. 

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