REUTERS/Athit Perawongmetha
REUTERS/Athit Perawongmetha

Cenário: O campo de risco do terror agora é do tamanho do mundo

Segundo ex-agente dos serviços de inteligência dos EUA, não há mais um teatro de operações razoavelmente definido – o que vale agora é a oportunidade

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 05h00

O cenário mudou, o campo de risco agora é do tamanho do mundo. Os atentados do Domingo de Páscoa no Sri Lanka revelaram uma nova atitude nas ações armadas do Estado Islâmico. Sem as bases do antigo califado – que se estendia, na Síria, desde Ajeb, no norte, até o território de Abumakal, na fronteira do Iraque – resta pouco ao movimento radical islâmico: um núcleo de comando que se transferiu para a Líbia, no ano passado, e as organizações clandestinas regionais.

Como os muçulmanos cingaleses, por exemplo. De acordo com um ex-agente dos serviços de inteligência dos EUA com longa experiência no Oriente Médio, “não há mais um teatro de operações razoavelmente definido – o que vale agora é a oportunidade”. Para o analista, “um atentado em Colombo, em Nova York ou no Rio, provocará terror igual”. 

As ações do EI ainda dependem de haver grandes comunidades religiosas nas praças visadas. Não é o caso do Brasil, acreditam funcionários do Ministério das Relações Exteriores ouvidos pelo Estado. Os diplomatas lembram que os cidadãos brasileiros identificados como possíveis militantes do EI são poucos e vivem fora do País”.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, sob a chefia do general Augusto Heleno desde o início do governo de Jair Bolsonaro, mantém um fluxo constante de análises a respeito do terrorismo internacional e suas eventuais ligações internas. É uma tarefa da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com a contribuição de outros órgãos – a Policia Federal, fundamentalmente. 

Cabe à PF acompanhar e manter atualizada a lista de nomes de suspeitos internacionais. O sistema é integrado e a forma como funciona é considerada informação sigilosa. Há um centro de comando conjunto onde é feita a modelagem da situação. As redes sociais são fortemente vigiadas. São rastreados e acompanhados indivíduos e grupos que tratem de temas como a manipulação de explosivos, movimentos extremistas, atentados, manejo de armas ou a defesa de doutrinas radicais – a pauta é extensa.

O grupo Thowheet Jamaath National (NTJ), que muitos traduzem como Organização do Monoteísmo Nacional, apontado nos EUA e na Grã Bretanha como responsável pelos ataques a três igrejas católicas e quatro hotéis, no domingo, no Sri Lanka, foi criado faz pouco mais de dois anos.

Fundamentalista e violento, adota a “ideologia do terrorismo islâmico” por meio de páginas na internet. Seus chefes, jovens, fazem aparições em vídeos postados nas redes sociais. Com o rosto coberto, fazem longas declarações defendendo o ensino religioso de crianças e execrando cristãos.

Um dos líderes, Abdul Razik, preso em 2016 sob acusação de racismo, declarou que a “sagrada missão” do NTJ é “levar a jihad ao mundo, criar o ódio, instalar o medo e dividir a sociedade infiel”. 

 

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