Stefan Rousseau/AP
Stefan Rousseau/AP

Cenário: O lobo solitário de meia-idade

O novo agente do terror é uma versão avançada do radical "adormecido", que permanecia despercebido até ser "acordado" pelo comando para cumprir uma missão

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2017 | 05h00
Atualizado 25 de março de 2017 | 05h00

O novo agente do terror é um homem de meia-idade, cidadão do país onde vive, muçulmano que faz as cinco orações diárias, vai à mesquita todas as sextas-feiras, tem um emprego, parentes conhecidos e mantém ligeiro contato com os vizinhos. Um perfil quase tedioso – até que o homem sai de casa em uma determinada manhã e comete um atentado.

É uma versão avançada do radical “adormecido”, aquele estrangeiro que, nos anos 2000, entrava legalmente na França ou no Reino Unido, por exemplo, e permanecia despercebido por muito tempo até ser “acordado” pelo comando para cumprir uma missão de destruição. O novo extremista é só uma sombra.

Segundo um analista de inteligência do Spezialensatkommandos – o Sek, principal grupo antiterrorismo da Alemanha –, ouvido pelo ‘Estado’, a dificuldade de organizações como o Estado Islâmico no trabalho com esse novo modelo será o recrutamento. A agência considera difícil determinar o “espírito transgressor” adequado. O cenário identificado pelo Sek remete ao conceito das células independentes criadas por Osama bin Laden há cerca de 15 anos.

“São unidades fechadas, uma não sabe nada das outras e os integrantes nunca mantêm contato – apenas esperam”, disse um especialista. Mais que isso: o EI adota a regra “sem tecnologia”. Os militantes não usam celulares, computadores ou qualquer dispositivo eletrônico para comunicar-se.

Há um código de sinais, como marcas de tinta de determinadas cores feitas em determinados lugares para situações de urgência. E, se houver necessidade de um encontro, o mensageiro seguirá uma longa rota de despiste e trocará de identidade quantas vezes for necessário. 

 

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