AP Photo/Desmond Boylan
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Cenário: O maior golpe contra a reaproximação

Notícia de retirada de diplomatas cobre de incerteza um futuro bilateral que a chegada de Donald Trump à Casa Branca já havia começado a manchar

Lorena Cantó* / EFE, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2017 | 05h00

Ainda que a relação oficial entre Cuba e EUA se mantenha, a decisão de Washington de retirar mais da metade do corpo diplomático de sua embaixada em Havana é o maior golpe até agora na recente relação bilateral. Ela traz para os cubanos um gosto amargo sobre o futuro. O episódio não apenas aumenta as tensões na diplomacia, mas também repercute mais uma vez na vida dos cubanos, que veem desvanecer os sonhos de prosperidade que acreditaram que a reaproximação traria. 

A notícia de ontem cobre de incerteza um futuro bilateral que a chegada de Donald Trump à Casa Branca já havia começado a manchar. Supõe, ainda, uma bofetada à diplomacia cubana, um dos orgulhos da ilha, que havia insistido veementemente que cumpre rigorosamente com a Convenção de Viena, que diz respeito à proteção de pessoal diplomático em seu território. Nesse caso em particular, o regime castrista insiste que não há nenhuma prova que aponte Cuba como responsável. 

A questão é que os “ataques” sofridos pelo pessoal americano da embaixada abriram um cenário sem precedentes nas relações. As graves denúncias feitas pelos EUA não se produziram nem mesmo durante os piores momentos das cinco décadas de confronto que os dois países mantiveram. Ainda que nos anos da Guerra Fria a pressão mútua sobre o corpo diplomático fosse comum, não há registro de nenhum caso de agressão física como os denunciados pelos EUA nesse incidente. 

Meios de comunicação americanos falam em lesões cerebrais traumáticas e perda de audição. Dezenas de negócios de todas as espécies, desde restaurantes, passeios em carros antigos e incontáveis serviços turísticos haviam florescido com a reaproximação graças à avalanche de turistas americanos que começaram a viajar para a ilha. Se o degelo entre Cuba e EUA levou a marca de Barack Obama, cada vez mais a retomada das tensões é associada a Trump, abertamente contrário às políticas de seu antecessor para Havana.

*É JORNALISTA

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