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Cenário: O provocador Kim pode ser promovido a alvo

Líder norte-coreano decide testar míssil intercontinental justamente no dia nacional dos EUA

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 05h00

Não, nada de teste em Pyongyang. Desta vez foi mesmo uma provocação: o disparo do míssil de longo alcance sob comando direto de Kim Jong-un coincidiu, nos Estados Unidos, com o início das comemorações do Dia da Independência, o feriado de 4 de Julho.

Uma baita demonstração: o foguete, provavelmente uma versão nova, híbrida, dos já conhecidos Musudan e Hwasong, ambos com raio de ação intermediário, voou a 2,8 mil km durante 37 minutos; cobriu 933 km e caiu no mar, na porta do Japão. 

A princípio poderia estar levando a bordo uma ogiva de 1,2 tonelada - mais que o suficiente para uma arma atômica miniaturizada de 20 kilotons, e pouco mais potente que a bomba lançada sobre Hiroshima, há 71 anos. 

Institutos especializados da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e até da China, confirmaram o ensaio e o definiram bem sucedido. Analistas dos três países consideraram que, depois de atingir distância orbital, o míssil desprendeu um primeiro estágio e acionou motores da segunda fase, ganhando de 30 a 40 segundos de empuxo extra, garantindo força necessária para chegar sem dificuldade ao Alasca, ao Havaí - distantes cerca de 7 mil quilômetros da Península Coreana -,"ou mesmo mais além", de acordo com a agência americana VCS, de estudo e simulação de risco de ataque com armas de destruição em massa.

A eficiência crescente do arsenal da Coreia do Norte, é um fator estratégico capaz de estimular uma ação preventiva dos Estados Unidos. O caro sistema de alta tecnologia de defesa antimísseis, instalado em terra e em navios dos EUA ao redor do mundo, com apoio de um centro parrudo montado no Alasca, pode interceptar até com certa facilidade um foguete solitário; talvez alguns deles voando juntos ou acionados a intervalos.

O pior cenário entretanto é o da "rain fire", a chuva de fogo representada pelo lançamento simultâneo de dezenas de mísseis. A rede de interdição poderá segurar muitos, quase todos, mas basta que só um passe, escapando da barreira, e caia, por exemplo, sobre Nova York.

Kim Jong-un não tem produção industrial nem a infraestrutura exigidos para esse tipo de operação. Ainda não tem. Antes que tenha, é provável que acabe evoluindo no cenário de risco do Pentágono. É uma ameaça. Vai ser promovido a alvo.

 

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