REUTERS/Kim Kyung-Hoon
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Cenário: País prova que protestos pacíficos funcionam

A resposta da população coreana nessa crise tem sido exemplar

Frank Ahrens* / Bloomberg, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2016 | 05h00

Uma senhora sul-coreana, minha vizinha em Washington, disse-me recentemente que quando os americanos a questionam sobre o escândalo envolvendo a presidente Park Geun-hye, ela se sente “muito envergonhada”. Na cultura do leste asiático, onde imagem e respeito são importantes, é compreensível que ela se sentisse incomodada. Mas não se justifica. A resposta da população coreana nessa crise tem sido exemplar.

No sábado, os sul-coreanos realizaram seu sexto protesto nacional, com cerca de 1,7 milhão de pessoas reunidas no centro de Seul. Desde outubro, os manifestantes estão se agrupando de maneira pacífica e democrática, exigindo a saída da presidente. Foi comovente ver centenas de milhares de coreanos na Praça Gwanghwamun, na capital, durante a noite, com velas acesas em torno das estátuas do Rei Sejong e do almirante Yi Sun-sin, duas grandes figuras históricas da Coreia do Sul, no momento em que esses manifestantes escrevem um novo capítulo da história política do país.

Há um robusto contrato social na Coreia do Sul e outros países do leste asiático, e cidadãos podem responsabilizar um e o outro por um comportamento público inaceitável. Democracias fortes sobrevivem a escândalos presidenciais, como já vimos nos Estados Unidos durante o escândalo de Watergate e observamos hoje na Coreia do Sul. Os sul-coreanos vêm demonstrando ao mundo que protestos de massa podem ser poderosos, pacíficos – até mesmo educados – e, ainda assim, ser eficazes. É uma lição de que os americanos deveriam se lembrar, especialmente agora. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*É AUTOR DO LIVRO ‘SEOUL MAN: A MEMOIR OF CARS, CULTURE, CRISIS AND UNEXPECTED HILARITY INSIDE A KOREAN CORPORATE TITAN’

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