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Cenário: Plano antiterror de Trump tem conceitos da Guerra Fria

Candidato combinou velhas promessas de confiscar campos petrolíferos do Oriente Médio com o anúncio de uma série de novas, mas vagas, propostas para mudar as táticas de batalha adotadas pelos EUA

David E. Sanger  e Maggie Haberman* / NYT, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 05h00

Donald Trump fez comparações com a Guerra Fria ao defender que os EUA têm de travar uma luta ideológica implacável para derrotar o Estado Islâmico. Afirmou que suspenderá temporariamente a entrada de imigrantes vindos “das regiões mais perigosas e voláteis do mundo” e julgará seus aliados com base apenas em sua participação na missão dos EUA de erradicar o terrorismo islâmico.

Em seu discurso em Ohio, Estado considerado decisivo nas eleições onde as pesquisas o colocam atrás de Hillary Clinton, o candidato combinou velhas promessas de confiscar campos petrolíferos do Oriente Médio com o anúncio de uma série de novas, mas vagas, propostas para mudar as táticas de batalha adotadas pelos EUA. “Do mesmo modo que vencemos a Guerra Fria, em parte expondo os males do comunismo e as virtudes do livre-mercado, temos de atacar a ideologia do islamismo radical”, disse.

E novamente tentou mudar o enfoque politicamente provocador com relação à imigração, substituindo a promessa feita em 2015 de impedir muçulmanos de entrar nos EUA, por uma nova, a de barrar qualquer indivíduo vindo de áreas onde o terrorismo prospera. Ele não disse se cidadãos de velhos aliados dos EUA onde terroristas realizaram ataques – como Alemanha, França e Bélgica – serão incluídos.

Trump, que prometeu construir um muro na fronteira com o México, declarou que vai pedir um “severo escrutínio” dos imigrantes, que incluiria a exigência de responderem a um “teste ideológico”. No geral, Trump defendeu o tipo de política externa focada no terrorismo adotada pelo ex-presidente George W. Bush após os ataques do 11 de Setembro.

Mas, com o passar do tempo, tal enfoque ficou complicado: China e Rússia usaram a luta contra o terror para massacrar as minorias muçulmanas. E o governo Bush acabou por descobrir que uma estratégia unidimensional, avaliando os países com base quase que exclusivamente no seu empenho no combate ao terrorismo islâmico, não era tão benéfica quando seus parceiros adotaram outras medidas contrárias aos interesses americanos – desde as reivindicações chinesas de parte do Mar do Sul da China até as crescentes ameaças russas contra antigos Estados soviéticos.

Ele responsabilizou o presidente Barack Obama e Hillary Clinton pela ascensão do extremismo islâmico. Disse que ambos cometeram “um erro catastrófico” no modo imprudente como se retiraram” do Iraque. Afirmou que Hillary agravou o erro ao tentar “criar uma democracia na Líbia”. Trump disse – corretamente – que Hillary defendeu com veemência a intervenção americana na Líbia, em 2011, e Obama repetidamente admitiu que esta foi a decisão de política externa mais irrefletida em seus quase oito anos no cargo. E disse ainda que “Hillary quer ser a Angela Merkel dos EUA”, uma referência à chanceler alemã.

Ele prometeu formar uma parceria com Israel, Egito e Jordânia para conter a propagação do terrorismo. E sugeriu que os EUA deveriam unir suas forças com a Rússia contra o EI. Mas Trump não disse se enviará mais soldados americanos para a região, o que parece ser o resultado claro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*SÃO JORNALISTAS

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