Drew Angerer/Getty Images/AFP
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Cenário: Plano para russos e ucranianos é cortesia de sócios de Trump 

Num momento em que as ligações de Trump com a Rússia e pessoas ligadas ao presidente estão sob escrutínio, alguns de seus sócios continuam prontos a dar sequência a negociações de bastidores

Megan Twohey e Scott Shane* / The New York Times, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2017 | 05h00

Uma semana antes de Michael Flynn renunciar ao cargo de assessor de Segurança Nacional, uma proposta lacrada foi entregue em seu escritório, esboçando meios de o presidente Donald Trump levantar sanções contra a Rússia.

Flynn se foi, flagrado ao mentir sobre as próprias discussões com o embaixador russo envolvendo sanções. Mas a proposta, um plano de paz para Ucrânia e Rússia, continua em evidência, bem como seus entusiastas: Michael D. Cohen, advogado particular do presidente, que entregou o documento; Felix H. Sater, sócio que ajudou Trump a sondar negócios na Rússia; e um parlamentar ucraniano que tenta criar um movimento de oposição traçado, em parte, pelo ex-gerente de campanha de Trump, Paul Manafort.

Num momento em que as ligações de Trump com a Rússia e pessoas ligadas ao presidente estão sob escrutínio, alguns de seus sócios continuam prontos a dar sequência a negociações de bastidores. Esses diplomatas amadores dizem que seu objetivo é pôr fim a um penoso conflito de três anos que já custou 10 mil vidas. “Quem não quer ajudar a paz?”, questionou Cohen. 

A proposta, porém, contém mais que um plano de pacificação. Andrei Artemenko, o parlamentar ucraniano que se vê como um líder estilo Trump numa futura Ucrânia, afirmou ter provas sobre a corrupção do presidente ucraniano, Petro Poroshenko. “Essas evidências podem ajudar a derrubar o governo”, disse Artemenko. Ele acrescentou que altos assessores de Vladimir Putin vêm encorajando seus planos. Cohen e Sater disseram que não falaram com Trump sobre a proposta, nem têm experiência em política externa. Cohen é um dos vários sócios de Trump sob investigação por ligações com a Rússia, segundo agentes americanos. 

Os dois envolvidos na iniciativa com Cohen também têm passados questionáveis: Sater, de 50 anos, um russo-americano, declarou-se culpado num caso de manipulação de títulos, décadas atrás, que envolvia a máfia. Artemenko cumpriu dois anos de prisão em Kiev, no início da década de 2000, sob acusação de desfalque, segundo ele, politicamente motivada. A acusação foi posteriormente derrubada.

Embora não esteja claro se a Casa Branca está levando a proposta a sério, o lance diplomático independente já enfureceu funcionários ucranianos. Dada a inclinação de Trump por Putin, John Herbst, ex-embaixador americano na Ucrânia, disse temer que o novo presidente esteja muito ansioso para consolidar as relações com a Rússia às custas da Ucrânia – potencialmente, com um plano como o de Artemenko.

Cohen tem laços pessoais com a Ucrânia: é casado com uma ucraniana e já trabalhou com parentes no país para criar um negócio com etanol. Antes de entrar na política, Artemenko participou de sociedades no Oriente Médio, de negócios imobiliários na área de Miami e trabalhou como representante de atletas ucranianos. Ele procura se identificar com a imagem de Trump, apresentando-se como versão ucraniana da crescente classe de líderes nacionalistas do Ocidente. 

Sater, antigo sócio em negócios de Trump com conexões na Rússia, estaria pronto a ajudar a proposta de Artemenko a chegar à Casa Branca. Cohen disse que estava esperando uma resposta quando Flynn foi forçado a renunciar. Agora, Cohen, Sater e Artemenko esperam que o novo conselheiro de Segurança Nacional assuma sua causa. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

*SÃO JORNALISTAS

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